Não é de hoje que as indústrias alimentícias estão de olho no mercado de pessoas que moram só. Pratos prontos, salgados, minipizzas, carnes, verduras e frutas in natura embaladas em pequenas porções invadiram as gôndolas dos supermercados e se apresentam como alternativa para os solitários. E os consumidores estão respondendo a esse novo apelo. A prova disso é que o mercado vem crescendo de 6% a 7% por ano, segundo estimativas da Associação Brasileira das Indústrias Alimentícias (Abia).
De acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), cerca de 10% da população - entre 4,5 milhões e 5 milhões de pessoas - moram sozinhas. Deste total, entre 600 mil e 700 mil têm uma faixa salarial que varia de 5 a 20 salários mínimos, ou seja, entre 15% e 16% do total da população. ''É um público que tem uma formação cultural consolidada, atua no setor de serviços e tem poder aquisitivo'', avalia Denis Ribeiro, coordenador do Departamento de Economia da Abia.
Segundo ele, a descoberta dos ''nichos de mercado'' pelas indústrias ocorreu entre os anos 1996 e 98, devido a dois fatores: estabilidade econômica e globalização, que favoreceu a concentração de renda. ''A partir daí, principalmente nas grandes capitais, as pessoas passaram a fazer mais as suas refeições fora de casa, houve uma 'motorização' do País e as pessoas deixaram de ir às feiras para ir aos supermercados, o que gerou a tendência dos pratos prontos e semi prontos'', observa Ribeiro.
Supermercados - A percepção desse novo filão não foi só da indústria alimentícia. O varejo percebeu o crescimento do mercado e também está investindo no setor. Nos supermercados, a oferta é variada e vai desde comida pronta até carnes, verduras e frutas in natura. No entanto, ao contrário do que muitos pensam, o principal público deste mercado não são os jovens, mas os idosos, que estão mais preocupados em ingerir alimentos de qualidade.
Uma rede estadual de supermercados investiu no comércio de comidas prontas em porções. Atualmente, a venda em pequenas quantidades (entre 300 e 350 gramas) correspondem a 60% do total dos alimentos comercializados. A padaria também investiu na fabricação de pães e bolos com menor peso, de cerca de 350 gramas depois de assado. Conforme o encarregado de padaria, Valdir Mendes, as vendas destes produtos são ''bem maiores'' do que a de pães e bolos maiores.
Um outro supermercado instalado no centro de Londrina comercializa carnes in natura e hortifrutis já embalados em quantidades menores. ''As carnes de preparo mais rápido como fraldinha e fígado são procuradas mais por idosos e estudantes. Já as carnes com osso, as cortadas em bife e a moída ficam mais com as famílias maiores'', comenta o açougueira Luiz Fernando de Almeida. Ele acrescenta que o movimento no açougue do mercado é grande por pessoas que pedem cortes com pesos que variam de 300 a 500 gramas.

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