Alimentação fora de casa sobe 143% em dez anos
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terça-feira, 07 de maio de 2013
Andréa Bertoldi<br>Reportagem Local 
Curitiba - A alimentação fora de casa teve um aumento de 143% nos últimos dez anos, percentual que ficou bem acima da inflação no mesmo período que foi de 82%. O hábito de comer fora encareceu mais do que a inflação com o aumento dos alimentos e os custos maiores como a mão de obra. O economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), André Braz, destaca que a disparada dos aluguéis comerciais também encareceu o custo dos restaurantes e lanchonetes.
A elevação da renda das famílias e o aumento da demanda por refeições fora de casa também foram motivos fortes para a alimentação pesar no bolso do consumidor final, segundo o presidente do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), Gilmar Mendes Lourenço. ''As famílias passaram a priorizar a alimentação fora de casa porque a preparação dos alimentos é muito morosa'', comenta.
Ele destaca que além disso, contribuiu para o aumento das refeições a alta dos preços dos alimentos. Lourenço disse que a tendência é que a alimentação em restaurantes e lanchonetes continue subindo em função das famílias estarem cada vez menores. A previsão de que os preços internacionais das commodities continuem em alta também deve pressionar o valor das refeições.
O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fabiano Camargo, observa ainda que a dificuldade de mobilidade urbana nas grandes cidades faz as pessoas se alimentarem cada vez mais perto do trabalho. ''Com mais pessoas empregadas aumenta a demanda por alimentação fora de casa, o que puxa os preços'', explicou. Além disso, acrescenta ele, os alimentos têm sofrido muita pressão dos preços internacionais em função do aumento do consumo em países como a China. ''Há demanda por alimentos e a oferta não acompanha na mesma proporção'', frisa.
Camargo destaca que a presença maior da mulher no mercado de trabalho também tem levado as famílias a se alimentarem mais fora de casa. Ele acredita que o preço das refeições em restaurantes e lanchonetes deve continuar aumentando, ao menos, neste ano. Um fator que pode amenizar a alta é a safra agrícola recorde prevista para 2013 mas, segundo ele, não há ainda como prever isso.
''Mais famílias têm ido usualmente a restaurantes, o que gera uma pressão de demanda. O consumidor, no entanto, deve impor o seu limite e reduzir as frequências aos locais que subirem muito os preços'', alertou Braz. Neste ano, a alimentação no domicílio subiu mais (15,45%) do que fora de casa (10,49%). De acordo com o IBGE, o brasileiro gasta, em média, R$ 27,40 para almoçar fora durante a semana.
O vendedor Wilson Gomes de Ramos Junior diz que acaba sendo obrigado a comer fora de casa porque trabalha o dia todo. Para ele, o lado ruim é que, nem sempre, consegue comer alimentos saudáveis como verduras e legumes. ''Eu gosto de cozinhar. Se pudesse me alimentava em casa porque é caro comer fora'', lamenta. A compra mensal dele de alimentos custa R$ 150 enquanto as refeições saem por R$ 300 no mês.
O engenheiro químico e professor Joubert Alexandro Machado, almoça fora de casa quase todos os dias. ''A carga de atividades do dia a dia leva a ter menos tempo. Trabalho mais, tenho menos tempo e, com isso, me alimento fora de casa'', conta. Ele gasta de R$ 600 a R$ 750 por mês com refeições. Para a alimentação ficar balanceada procura variar os alimentos e não deixar de lado as saladas. (Com agências)



