Genebra- O Brasil está se utilizando de ex-funcionários do governo dos Estados Unidos para questionar os subsídios dados pela própria Casa Branca a seus produtores de algodão. Ontem, na Organização Mundial do Comércio (OMC), os árbitros internacionais iniciaram a avaliação da queixa brasileira contra Washington. Mas do lado do Brasil, dois dos principais representantes do País no caso eram norte-americanos.
O Brasil argumenta que os Estados Unidos não estão cumprindo seus compromissos assumidos em 1993 de não aumentar os subsídios agrícolas. Segundo o Itamaraty, os norte-americanos davam US$ 1,9 bilhão no início dos anos 90 a seus produtores de algodão, valor que foi ultrapassado nos últimos três anos e que está prejudicando as exportações nacionais.
Para preparar o processo legal, o Brasil chamou Scott Anderson, o ex-funcionário da escritório comercial da Casa Branca, conhecido como USTR. O advogado foi um dos responsáveis por montar a estratégia jurídica do caso, que está sendo considerado como um dos mais polêmicos dos últimos anos na OMC.
O Brasil também levou para a reunião um ex-funcionário do departamento agrícola dos Estados Unidos (USDA), que trabalhou no início dos anos 90 em temas relacionados com os programas norte-americanos de subsídios. O economista ajudou o Itamaraty a questionar os sistemas de ajuda estatal existentes e, por ter trabalhado em Washington, pôde dar números e detalhes precisos sobre como funcionam os programas de apoio à agricultura.

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