Tim Hannagan, analista da corretora PFG Best, em Chicago, explica em relatório distribuído ao mercado que as commodities possuem uma tendência sazonalmente baixista no primeiro bimestre do ano. Do ponto de vista das commodities agrícolas, este é o período em que Brasil e Argentina colhem suas safras de grãos - neste ano, uma produção recorde - o que faz crescer de modo significativo a oferta mundial. Os estoques de petróleo do Hemisfério Norte também tendem a subir no começo do ano, já que o frio intenso reduz o uso do carro e, consequentemente, a demanda por derivados de petróleo. ''Milho e soja geralmente acompanham o petróleo, ao qual estão cada vez mais atrelados pelo fato de serem matérias-primas para a produção de biocombustíveis'', observa Hannagan.
Segundo o analista, a tendência tende a mudar entre meados de fevereiro e o início de março, quando os mercados futuros começam a antecipar a queda dos estoques de petróleo devido ao aumento da demanda por gasolina durante a primavera no Hemisfério Norte. Além disso, março é o período em que os agricultores dos Estados Unidos tomam suas decisões relacionadas ao plantio da chamada safra de primavera. Como a demanda mundial por biocombustíveis e rações cresce a passos largos, o mercado não pode se dar ao luxo de permitir uma queda na área cultivada. Mas, para isso, precisa estimular os produtores a plantar mais - ou seja, os preços precisam ser atraentes.
Fatores sazonais também ajudam a explicar o fortalecimento do dólar em relação às principais moedas internacionais nas últimas semanas, explica Shawn Hackett, da Hackett Financial Advisors, na Flórida. Hackett conta que os gráficos dos últimos 30 anos mostram que o dólar possui uma tendência de forte alta entre o fim de dezembro e meados de fevereiro, período em que as commodities tendem a ser pressionadas para baixo. Depois de atingir um pico, em fevereiro, a moeda americana geralmente apresenta uma tendência baixista até meados de maio. ''Se o padrão se mantiver este ano, então o atual rali do dólar está com os dias contados. Logo, as commodities estão perto de atingir um piso e a registrar uma alta muito consistente entre fevereiro e maio'', afirma o analista. (G.F/A.E.)

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