Algumas empresas já perceberam a mudança
O cientista político Sérgio Abranches, em seu estudo sobre Estado e Competitividade feito em parceira com o engenheiro Paulo Fernando Fleury, diz que o terceiro choque de competitividade já chegou ao País, onde vem se manifestando, mais visivelmente, por intermédio de aquisições de empresas brasileiras por estrangeiras e formação de alianças estratégicas. Os efeitos deste terceiro choque vão ser tão profundos que Abranches não descarta a hipótese de que muitas das reclamações e pressões de lideranças empresariais por uma desvalorização do real não causadas verdadeiramente pela política cambial, mas sim pela consciência de que a grande ameaça é mesmo este terceiro choque.
Ele acredita que muitos líderes empresariais já estão sentindo que somente os mais aptos vão sobreviver, pois esta terceira onda é muito mais complexa do que os dois primeiros choques competititivos encarados desde 1990 pelas empresas.
De acordo com Abranches, as empresas, brasileiras ou não, que quiserem entrar em um setor onde atuem empresas bem ajustadas podem se deparar com barreiras tão fortes que somente fazendo alianças ou adquirindo a concorrrente terão sucesso. Em seu entender, a indústria de cervejas e refrigerantes tem deixando isso muito claro: empresas estrangeiras que desejam atuar o sedento mercado brasileiro precisam se aliar a brasileiras, que dominam o mercado com grande eficiência. A área de bancos também é exemplar, em seu entender.
Para o cientista político, este padrão vai se generalizar por todos os segmentos da economia que apresentem volume de demanda interna ou potencial exportador em um nível de escala suficiente para atrair novas companhias. Assim, explica, empresas dispostas não apenas a exportar para o Brasil, mas também a produzir no País o que antes exportavam para o mercado brsileiro surgirão com frequência cada vez maior - e, aliás, serão responsáveis por uma boa parcela do que ele, Abranches, chama de nova substituição de importações. Observe-se que este choque pode ser aplicado nas empresas de um setor não apenas por estrangeiras, mas também por empresas brasileiras de outros segmentos, que queiram se reposicionar no mercado.
A indústria de embalagens de plásticos, diz Sérgio Abranches, já está vivendo o terceiro choque. Várias empresas dos Estados Unidos que exportavam para o Brasil estão, conforme o estudo, se preparando para produzir no País as linhas de maior consumo. Diante disso, as empresas brasileiras que atuam no mesmo segmento iniciaram um movimento de fusões e aquisições, além de parcerias com empresas estrangeiras, de forma a enfrentar os novos entrantes. Abranches cita como o maior evento dentro deste caso a fusão dos segmentos de embalagens flexíveis das empresas Itap e Dixie-Toga - com isso, surgiu a maior companhia de embalagens flkexíveis do País, cujo faturamneto anual estimado é de cerca de US$ 500 milhões, conforme citado por Abranches.
Este mesmo terceiro choque está, enviezadamente, ajudando os grandes bancos espanhóis e portugueses. De acordo com Abranches, sem porte para competir em escala global com as gigantescas instituições bancárias internacionais, bancos como o Santander e o Espirito Santo buscam mercados em reestruturação - como o Brasil - nos quais o seu porte pode ser considerado respeitável. Com isso, ganham condições de competitividade mesmo em relação aos concorrentes maiores.





