'Alguém tem que fazer a soma'
O ministro Pedro Malan, da Fazenda, afirmou ontem que, se o Congresso e o Executivo não conseguirem identificar uma fonte para viabilizar o aumento do mínimo, o discurso nesse sentido será puramente demagógico. É assim em toda sociedade moderna. Não consigo imaginar o Brasil descobrindo uma nova maneira, distinta, brasileira, como a jabuticaba, de tratar dessas questões, que não a discussão das prioridades do Orçamento.
Malan afirmou que esse é o arcabouço válido para a discussão do aumento do mínimo, lamentavelmente baixo, e para todas as outras demandas legítimas por maiores gastos. E completou: Mas alguém tem que fazer a soma e dizer o que é possível fazer.
O ministro chegou diretamente do Canadá, onde esteve por ocasião da reunião do G-20 (formado pelos sete países mais ricos e 13 nações consideradas emergentes), para participar do seminário Reavaliação do Risco Brasil, do Centro de Economia Mundial da FGV (Fundação Getúlio Vargas).
Participaram do seminário representantes de bancos de investimentos e agências de classificação de risco, para os quais o risco Brasil pode aumentar se não ficar claro de onde virão os recursos para um aumento do mínimo acima da previsão do governo.
Na opinião de Malan, ficou de fora do atual debate sobre o salário mínimo a dificuldade de Estados e municípios de aderirem à lei que os liberou para fixar salários mínimos distintos do federal. Seria bom ouvir a voz rouca dos governadores para saber por que não aumentaram o mínimo além do nível atual.
O presidente do Banco Central, Armínio Fraga Neto, que também participou do seminário, disse que o pagamento do reajuste dos salários do Judiciário e da correção do FGTS terão que ser vistos nos limites do compromisso do governo com a estabilização. Fraga disse não saber de onde vai sair o dinheiro para cobrir os novos compromissos. Não tenho resposta para essa pergunta. A sociedade como um todo terá que decidir, afirmou. (AF)





