Cerca de 7,6 mil trabalhadores ficam sem emprego nesta safra de verão no Paraná por conta da redução da área de álgodão, de 70,7 mil hectares, no ano passado, para 48 mil ha este ano. O plantio ainda não foi concluído mas o Deral mantém a previsão de queda de 32%. O algodão é uma das atividades que mais oferecem ocupação: um indivíduo para cada 3 ha, perdendo apenas para o café adensado (3 pessoas/ha).

A engenheira agrônoma Vera Zardo, chefe do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura, observa que esta será a menor safra de algodão do Paraná, desde que o Deral passou a acompanhar o desempenho da agricultura, no início dos anos 70. Certamente será a menor da história pois até 1992, com 700 mil ha naquele ano, o Paraná vinha mantendo a liderança na produção.

A redução da área deve ocorrer também no Estado de Mato Grosso, maior produtor. O motivo do desestímulo são os baixos preços que, na última safra, não garantiram rentabilidade para o agricultor. Além disso, o algodão é cultura que tem alto custo de produção que tende a ficar mais alto este ano com o aumento do dólar, conforme observa Vera Zardo.

A redução da área de algodão não chega a ser novidade no Paraná, mas nos últimos anos o plantio chegou a recuperar parte da área perdida nos anos 90. A função social do algodão vai além do emprego de grande número de trabalhadores volantes. A lavoura é cultivada por pequenos proprietários, meeiros e arrendatários.

A redução da área não significa, necessariamente, que as indústrias venham a praticar preços melhores do que os do ano passado. As cooperativas do setor não acreditam nesta hipótese, alegando facilidade que a indústria têxtil tem para encontrar a matéria-prima no mercado internacional.

Novas variedades Pelo menos seis novas variedades entram no mercado de sementes pela primeira vez este ano e todas elas têm como principal característica a alta qualidade industrial das fibras, em primeiro lugar, e a alta produtividade, além de bom nível de sanidade e tolerância.

As novas cultivares são IPR 94, IPR 95 e IPR 96. Criadas e recomendadas pelo Iapar, após 9 anos de pesquisas, as IPRs devem ocupar cerca de 40% da área, na avaliação do pesquisador Wilson Paes de Almeida, líder do Programa Algodão.

Outras variedades, também de alto padrão técnico, são a Iapar 71, que deve ocupar pequena área, e as Codetec(s) 401, 404 e 405. Wilson esclareceu que a cultivar IAC 20, não entra em recomendação oficial este ano, ao contrário do que foi divulgado dias atrás.

Conforme Wilson Paes de Almeida, a comercialização do material é feita em parceria entre o Instituto e a Coceal (Ibiporã), Algoeste (Umuarama) e Coagel (Goioerê).

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