A perspectiva de preços rentáveis durante a comercialização da próxima safra e o incremento de programas de apoio por parte de cooperativas e do governo estadual estão dando um novo alento na cotonicultura do Paraná. A previsão do Departamento de Economia Rural é que a área ocupada com o algodão deve crescer 54%, passando de 59,7 mil hectares plantados na safra passada para 92 mil hectares na safra 97/98. A produção esperada é de 175 mil toneladas de algodão em caroço, o que também representa um aumento de 54% sobre a produção anterior, quando foram colhidas 113 mil toneladas.
Ocorre que o plantio do ano passado foi o mais baixo da história e será muito difícil o Estado recuperar os mesmos níveis da safra de 1991, quando plantou sozinho 705 mil hectares, ou seja, mais do que toda a área ocupada com algodão no País durante o ano passado que foi de 680 mil hectares. Também será difícil o retorno de produtores tecnificados que saíram da cultura e já se adaptaram em outros setores, complementou a técnica Vera Zardo, do Deral. Ela aponta que o Paraná tinha 70 mil produtores de algodão em 1986 e hoje esse número está reduzido a 6 mil.
Essa redução drástica que impede a volta da cultura no Estado aos níveis anteriores é responsável pela transformação do País no maior importador de algodão do mundo. Segundo dados da Conab, esse ano deverão ser importadas 460 mil toneladas de algodão em pluma, pelas quais serão desembolsados entre US$ 900 milhões a US$ 1 bilhão.
A expectativa para 1998 é mudar este cenário. Os produtores estão animados com a possibilidade de continuar a usufruir de uma comercialização favorável como ocorreu este ano. Isto porque, continua a escassez de matéria-prima no País, com a produção de 34% do que consome. Ou seja, produz 300 mil toneladas e o consumo está avaliado em 860 mil toneladas. A queda na produção e as restrições na importação elevou o preço do algodão no mercado. O produtor recebeu, em média, US$ 7,72 por arroba de algodão em caroço. Em julho o preço pago ao produtor alcançou R$ 8,64 a arroba, proporcionando uma rentabilidade de 44,7% sobre o custo variável. ‘‘São os melhores preços pagos ao produtor desde 1984’’, salientou a agrônoma.
Outra vantagem que está atraindo o pequeno produtor é elevação do preço mínimo de R$ 6,50 para R$ 7,00 a arroba de algodão em caroço e a garantia do pagamento do preço mínimo para quem recorre ao financiamento da cultura pelo Pronaf. Mas a avaliação da técnica do Deral é que os preços de mercado em 1998 devem ficar acima do mínimo em decorrência da escassez de produto que continua. A produção mundial e o consumo estão muito ajustados e nada indica que a oferta será maior em outros países, afirmou Vera Zardo.
O mercado favorável à produção do algodão não muda a tendência de migração da cultura para a região Centro-Oeste onde o produtor mais tecnificado investe na mecanização da lavoura, favorecido pelas áreas planas e clima compatível ao desenvolvimento da cultura.

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