SÃO PAULO - País fica mais dependente da fibra do algodão estrangeiro. A Conab confirmou ontem a necessidade de aumento das importações de algodão. As importações em 1996 vão representar cerca de 10% do déficit total do País, estimado em US$ 7 bilhões. A previsão havia sido anunciada pelo agrônomo José Sérgio Baima, chefe da divisão de complexos de produtos de exportação da Conab, ao participar dias atrás do seminário ‘‘Perspectivas da Comercialização de Algodão no Brasil’’.
De acordo com Baima, este ano o Brasil importará 390 mil toneladas de algodão em pluma, cerca de US$ 740 milhões. Em 95, foram importadas 282 mil toneladas. A maior participação do algodão no déficit brasileiro se deve à queda de produção no País verificada nos últimos anos. Em 97, segundo a Conab, o Brasil deverá importar 60% de seu consumo, estimado em 860 mil toneladas.
Enquanto a importação cresce, a produção continua a cair - na safra 95/96 o País produziu 414 mil toneladadas, e em 96/97 a produção deve cair 17%, ficando em 343 mil toneladas. A queda na produção de algodão se deve a fatores estruturais e conjunturais, segundo Baima, como crédito agrícola, alíquota de importaçãso baixa (3%) e o descrédito dos produtores em relação aos preços.
Estratégia - Na opinião de Baima, quando o governo procurou interferir menos na comercialização, acabando com o EGF-COV (com opção de vendas), ele restringiu o crédito. ‘‘Com o EGF-COV o Banco do Brasil tinha a garantia de que o financiamento seria pago, mas agora sem o instrumento, o BB exige uma garantia real.’’
Como resultado, os pequenos cotonicultores (60% a 80% dos produtores de algodão do País) não estão conseguindo crédito e muitos deixaram a atividade. De acordo com o levantamento da Conab realizado em outubro, houve uma diminuição de 47% na área plantada com algodão no Paraná e de 45% no Mato Grosso do Sul.
Na safra 95/96, a área total plantada no País ficou em 973 mil hectares, mas deve cair para 742 mil hectares na atual safra. Para José Sérgio Baima, ao acabar com o EGF-COV, o governo excluiu os pequenos produtores, que agora estão trabalhando em outras culturas ou indo para as cidades. Segundo Baima, outro fator que motiva a importação são os prazos maiores para pagamento e os juros menores no mercado internacional.

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