A queda no preço do algodão durante a safra refletiu em todos os seus subprodutos. O caroço de algodão, que fornece o linter (matéria-prima para fabricação de velas), óleo bruto e torta para ração animal teve seu preço reduzido de R$ 100,00 a R$ 110,00 a tonelada, na safra passada, para R$ 80,00 a tonelada esse ano. Contribuiu com a queda, a concorrência do farelo de soja cuja oferta aumentou com a elevação no plantio de soja ocorrido no Paraná, informou o técnico da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, Maurício Lunardon.
Outro fator que acelerou a redução de preço do caroço foi a queda de 20% no preço do algodão, durante a safra. A produção que foi negociada em média por R$ 8,38 a arroba no ano passado, caiu para R$ 6,76 a arroba, esse ano. O aumento da oferta desse subproduto, em função do crescimento da área ocupada com algodão no Paraná na safra 97/98 também refletiu na redução de preço do caroço de algodão. Com isso, as beneficiadoras estão enfrentando dificuldades em vender os subprodutos do algodão, principalmente o farelo de algodão que concorre diretamente com o farelo de soja, disse o proprietário da beneficiadora Algoeste, de Umuarama, Benedito Antonio Silva.
Para as vendas menores de caroço, destinadas à alimentação animal o preço obtido foi melhor, entre R$ 130,00 e R$ 140,00 a tonelada. Como a comercialização do caroço de algodão em grandes quantidades é dirigida às indústrias de margarinas e óleo comestível, o produto é beneficiado aqui, mas a indústrialização ocorre principalmente no estado de São Paulo onde estão localizadas as grandes indústrias de alimentos que utilizam o óleo de caroço de algodão para frituras especiais.
Para o assistente de comercialização da Cocamar, Áureo Inácio Alves Ferreira, a queda no preço do farelo de soja, em função da elevação da produção foi decisiva na redução do preço do caroço de algodão. Segundo Ferreira, o farelo de soja que era comercializado entre R$ 280,00 a R$ 290,00 a tonelada no ano passado, caiu para R$ 180,00 a R$ 190,00 a tonelada, esse ano.
No Paraná, somente a Cocamar e a Coamo estão se dedicando ao esmagamento do caroço e refino do óleo. As grandes empresas que antes atuavam na industrialização do óleo, como a Anderson Clayton (Gessy Lever), Sanbra e Braswey foram para outros estados, em função da queda de produção de algodão no Paraná. A Gessy Lever desativou a estrutura que tinha em Cambé e a Sanbra saiu de Maringá para Bauru-SP. A tendência dessas empresas é instalar indústrias na região Centro-Oeste onde a cultura do algodão está em expansão e não aqui no Paraná, onde a cultura deverá ter novamente queda na área plantada, avaliou Ferreira.

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