Considerada uma das lavouras que mais utilizam mão-de-obra, a produção de algodão vai deixar de utilizar, nesta safra, cerca de 10 mil trabalhadores, uma dura consequência da redução da área, estimada em 41,4 mil hectares - cerca de 42% a menos que a do ano passado. Com a redução, o Paraná deverá produzir 93.860 t de algodão em caroço, ou 34.728 t de pluma, menos que a metade que o setor paranaense de fiação utiliza anualmente.

A crise do algodão vem se acentuando nos últimos dez anos, o que segundo dados da Federação de Trabalhador na Agricultura do Estado do Paraná (Fetaep) resultou na perda de 250 mil postos de trabalho nas propriedades rurais do estado. No início da década de 90, o Paraná chegou plantar 700 mil hectares.

Para o coordenador técnico da Fetaep, Sérgio Gutierrez, um dos fatores que contriburam para a redução de área no Paraná nesses últimos anos foi a mecanização, que só torna viável se realizada em grandes áreas, o que favoreceu a produção de algodão em estados do Centro-Oeste, onde as grandes áreas predominam. ''Dentro desse panorama, muitos postos de trabalho foram perdido, o que representa um grande impacto social. Como no Paraná, cerca de 86% das 370 mil propriedades tem menos que 50 ha, o ideal seria que houvessem políticas agrícolas que beneficiassem o pequeno produtor'', destacou.

O custo de produção do algodão paranaense também é alto, R$ 1.933,10/ha para uma produtividade de 2.250 kg/ha, conforme o Deral, que inclui no custo a remuneração da terra, a depreciação de maquinários e juros sobre o capital investido. A remuneração também não anima, cerca de R$ 27,00/arroba da pluma (R$ 8,26 preço médio da arroba do caroço, ontem).

Outro fator que está favorecendo a reduação de área de algodão é a migração para a soja, mais remuneradora. ''Com um custo médio de R$ 750,34/ha, e bons preços no mercado internacional, fica difícil manter o incentivo à produção do algodão, mas o nosso estado tem condições de potencializar a produção pela estrutura que já existe'', comentou o engenheiro agrônomo do Deral, Mauríco Lunardon, que também defende incentivos à produção nas pequena propriedades.

Segundo o presidente da Cooperativa Central de Algodão (Coceal), Almir Montecelli, empresa beneficiadora de algodão em Ibiporã, a redução de área deverá aumentar ainda mais a dependência por mercados externos. ''Com a redução de área, já estamos estimando o beneficiamento de apenas metade do que efetuamos no ano passado, isto é, 300 mil arrobas de algodão em caroço. Isso é ruim para toda a cadeia produtiva, e principalmente para os pequenos produtores, que deixam de ter empregos e de investir diretamente nos pequenos municípios'', ressaltou Montecelli.

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