O algodão, que começa a ser plantado este mês no Paraná, promete boa rentabilidade aos produtores. A análise é de Almir Montecelli, presidente da Cooperativa Central do Algodão (Coceal), de Ibiporã. Ele acredita que em abril de 2003, época da colheita, a arroba do algodão em caroço estará valendo R$ 17,00. No mesmo período de 2002, produtores receberam R$ 11,00 pelo produto. A alta de 54% é explicada pela valorização do dólar, que melhora a cotação do produto no mercado externo.
Apesar da perspectiva positiva, haverá redução nas áreas plantadas. O engenheiro agrônomo Maurício Tadeu Lunardon, do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab), informou que, no final de setembro, o órgão previa o plantio de 27.330 hectares (ha) no Paraná, com produção de 61 mil toneladas de algodão em caroço. A área é 22% menor que os 35.150 ha cultivados na safra passada, que renderam 81,5 mil toneladas do produto.
A próxima previsão de área ficará pronta no final do mês. Segundo Lunardon, o bom preço do produto pode elevar a estimativa, diminuindo a perspectiva de redução. ''Pode ser que a diminuição seja menor que os 22% previstos no início'', comentou. O espaço perdido pelo algodão será ocupado pela soja que, segundo o agrônomo, tem custo de produção um terço menor. ''Além disso, o comércio é mais fácil'', complementou.
Montecelli considera que se o preço continuar bom, na próxima safra a área da cultura deve crescer. ''Qualquer motivação permitirá recuperar o patamar de 70 mil hectares'', disse, ressaltando que o volume ideal de lavouras para ocupar o parque de máquinas do Estado seria 200 mil ha.
Ele reclamou que o governo do Estado não tem incentivado a atividade. ''O Paraná ficou para trás. É preciso colocar o Proalpar para funcionar'', cobrou, referindo-se a um programa que prevê o repasse de dinheiro arrecadado com ICMS para a cadeia produtiva do algodão.
Lunardon explicou que o programa ainda não foi regulamentado, mas deverá estar funcionando na próxima safra. ''A idéia é formar um fundo com recursos do ICMS gerado pela indústria do algodão'', revelou. Quarenta por cento do dinheiro arrecadado será repassado para os produtores, 50% para a indústria e 10% para a pesquisa.

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