Bruxelas - O setor têxtil brasileiro conseguiu, ontem, do Executivo Europeu, em Bruxelas, o sinal verde para exportar uma cota de mil toneladas de tecidos de algodão tinto aos países da União Européia (UE), já a partir da próxima semana. Esta cota extra foi solicitada pelo governo brasileiro, enquanto o acordo dos têxteis e vestuário, assinado com a UE, no mês passado, não entra em vigor, o que só deve ocorrer em meados de outubro.
O Brasil precisava desta cota, que,''na verdade, representa o limite mínimo para assegurar o fluxo do comércio desta categoria têxtil entre os dois lados'', explicou uma fonte diplomática brasileira. Em outras palavras: a direção de comércio da Comissão Européia, em conjunto com representantes dos países-membros, atendeu ''no limite'' o pedido brasileiro, que era de mil toneladas ou mais.
O algodão tinto brasileiro, fornecido principalmente para a indústria européia de jeans, já está com mercadoria parada no Porto de Santos por ter estourado sua cota de exportação desde o mês passado. Somente no primeiro trimestre do ano, o setor já havia exportado 73% da cota. O Brasil é o 11º fornecedor de tecidos para jeans, segundo dados da Eurostat (órgão estatístico da UE).
As cotas de exportação serão eliminadas integralmente pela UE, assim que o acordo de têxteis e vestuário entre UE e Brasil entrar em vigor, em caráter provisório, a partir da segunda quinzena de outubro. Caráter provisório porque o acordo pode ser anulado, por parte da UE, caso o adicional de 1,5 ponto porcentual, aplicado sobre a Tarifa Externa Comum (TEC) não seja eliminado a partir de janeiro, conforme previsto pelas regras do Mercosul.
O Brasil recebeu um aval ''informal'' de seus parceiros sul-americanos para negociar esse entendimento com os europeus, mas a decisão oficial só ocorrerá no fim do semestre, em reunião do bloco.
Tarifas de importação - O País também assumiu o compromisso de não elevar as tarifas de importação, que variam hoje entre 4% e 20%, e com esse acordo, pode dobrar sua exportação de têxteis para a UE nos próximos dois anos. Há, sem dúvida, um enorme nicho comercial a ser trabalhado.
Os países europeus importaram em 2001 produtos têxteis no valor de US$ 72,1 bilhões. Seus maiores fornecedores foram a China, a Turquia e a Índia.
A UE suspenderá as cotas para 244 produtos brasileiros divididos em 10 categorias, abrangendo os segmentos de fio de algodão, tecidos cru, algodão tinto, sintético e de fibras sintéticas, camisetas, calças, roupas de cama e mesa e os felpudos. Acordos similares foram negociados com Sri Lanka, há dois anos, e com o Paquistão, no ano passado.
Ranking - Dentro da UE, cerca de 30% das indústrias têxteis e de vestuário estão na Itália. Em torno de 14% na Alemanha e, um pouco abaixo, apontam no ranking Reino Unido e França. Entretanto, Portugal e Grécia são os países que mais dependem do setor, tanto na relação industrial, quanto para as exportações.

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