‘‘Acredito que, daqui a dez anos, o Brasil será a quinta potência do mundo e, para a Argentina, é muito importante unir-se a este grande país’’, disse ontem o ex-presidente da Argentina e atual presidente da União Cívica Radical (UCR), Raúl Alfonsín, em reunião com empresários promovida pelo Memorial da América Latina, em parceria com a Agência Estado, como parte do evento Presidentes do Mercosul.
Alfonsín reforçou a necessidade absoluta da consolidação do bloco para que os países membros possam desenvolver suas indústrias, ampliar o mercado e superar o protecionismo dos Estados Unidos. ‘‘O Mercosul foi criado com o intuito de acabar com a rivalidade absurda e anacrônica entre o Brasil e Argentina, inclusive na área bélica’’, destacou.
‘‘Devemos lutar contra qualquer manifestação que afete a lealdade entre os nossos países’’, disse Alfonsín, referindo-se a recentes declarações do ministro de Economia argentino, Domingo Cavallo, que reacendeu, nas últimas semanas, o debate sobre a viabilidade do Mercosul ao defender realização de um acordo bilateral direto com os Estados Unidos.
O ex-presidente reconhece que os conflitos comerciais entre o Brasil e a Argentina vão continuar existindo, mas eles seriam atenuados se os países conseguissem definir pontos de convergência macroeconômica, principalmente na área cambial.
Para ele, a solução fundamental para estes atritos, que em períodos se intensificam, passa pela questão cambial. ‘‘O Mercosul passa por um momento delicado, mas sairá desta crise, assim como a União Européia conseguiu superar cerca de 700 conflitos para chegar ao seu estado atual’’, destacou.

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