Alerta também para a escassez de recursos
A safra também deverá chegar com escassez de recursos para custeio a juros controlados, sem correção dos limites de financiamento por cultura e produtor. ''O produtor terá uma safra mais cara e o mesmo dinheiro disponível,'' diz Mafioletti. Os limites, segundo ele, continuam os mesmos da safra 2003/04, sendo que os custos de produção aumentaram consideravelmente. Segundo Mafioletti, na área de crédito os agentes financeiros continuam ofertando recursos na forma que ele chama de mix, ou seja, parte com custos de crédito rural e outra com juros livres, encarecendo mais o custo de produção.
Outro fator que na opinião de Mafioletti deverá ter forte influência no mercado da soja é o prognóstico meteorológico de irregularidades climáticas que se desenha para o período, muito parecido, segundo ele, com o que aconteceu na safra passada com a presença de veranicos, chuvas irregulares e a possibilidade da formação do fenômeno El Nino a partir de janeiro de 2005, ocasionando chuvas na colheita e prejudicando a produtividade.
O assessor da Ocepar alerta também para o comportamento da moeda-norte americana. Câmbio com real sobre-valorizado, segundo ele, tem impacto negativo nos preços das commodities que são formados nas bolsas de mercadorias internacionais. O dólar, explica Mafioletti, está desvalorizado em relação ao real e com valor igual à cotação de 2000, inferior a cotação base de 1999 e com reflexos negativos na paridades de preços para a exportação e importação e, consequentemente, na balança comercial brasileira.
A recomendação, avisa Mafioletti, é que os produtores tenham cautela na safra 2004/05 e adotem a racionalização no uso de insumos - sem deixar de usar tecnologia -, busquem fontes de financiamento com custos compatíveis a uma venda escalonada da produção e realizem a rotação de culturas para evitar surpresas e endividamentos no setor. (C.B.)





