Célia Guerra
Reportagem Local
Produtores das regiões cafeeiras do Estado já podem contar com as informações climáticas de inverno. O Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), lançou ontem a edição 2006 do serviço Alerta Geada, que visa a proteção de lavouras novas (até dois anos de implantação), com previsões diárias de temperatura, e do risco de ocorrer geadas capazes de causar danos à cafeicultura.
  Segundo o meteorologista Itamar Adilson Moreira, do Instituto Tecnológico Simepar, o Alerta Geada funciona 24 horas por dia avaliando todos os comportamentos climáticos, como a formação das massas polares. Com isso, é possível antecipar em até dois dias o risco das geadas e as regiões que podem ser afetadas. O serviço é conduzido pelo Iapar em parceria com o Simepar e o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), com apoio do Consórcio Brasileiro de Pesquisa e Desenvolvimento do Café.
  ‘‘Sempre que há risco de geada, o serviço emite um aviso para os meios de comunicação, técnicos e produtores cadastrados’’, avisa. Esse alerta é feito com 48 horas e confirmado com 24 horas de antecedência. O meteorologista avisa que este ano, devido ao efeito La Niña, a tendência é de que o inverno seja mais rigoroso que o do ano passado, com a possibilidade de ocorrências de geadas.
  O Alerta Geada opera até o final de agosto e está em seu décimo segundo ano de funcionamento. Como resultados do serviço, os parceiros informam que, na última grande geada, ocorrida em 2000, o serviço permitiu a proteção de 80% dos cafezais das regiões atendidas. Dos 20% restantes, 10% foram áreas onde os produtores não valorizaram a informação e os demais não tiveram acesso ao serviço.
  Para o produtor essa informação, explica Armando Androcioli Filho, coordenador de pesquisa de café do Iapar, permite a adoção de medidas de proteção que impeçam a perda das lavouras por geadas severas. Entre as recomendações ele cita o enterrio da plantas com até seis meses de idade. ‘‘As mudas devem ficar cobertas por, no máximo, 20 dias’’, destaca. Já para plantas entre seis e 24 meses, a indicação é o ‘‘chegamento’’ de terra no tronco. Essa prática deve ser feita agora, no mês de maio, e seu objetivo é proteger as gemas para facilitar a rebrota.
  No Estado, conforme dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Seab, dos 107 mil hectares plantados com café no Paraná, 3,7 mil hectares são lavouras novas, com até dois anos de implantação. O gerente do Deral Paulo Franzini, que pertence também à Câmara Setorial do Café, afirma que essa novas áreas representaram um investimento de quase R$ 23 milhões. ‘‘A proteção desses cafezais custarão pouco mais de R$ 1 milhão’’, diz. Segundo os cálculos do Deral, o enterrio de mudas tem um investimento de R$ 344/hectares e o chegamento de terra R$ 206/hectares, em média.
  A produção cafeeria no Paraná é predominante familiar. Das 13 mil propriedades que se dedicam à cafeicultura, 80% têm menos de 50 hectares. Neste ano, o Estado deve colher 2,23 milhões de sacas beneficiadas.

Serviço:

- As consultas ao alerta geada são pelo site www.iapar.br ou pelo telefone (43) 3391-4500. Técnicos e produtores interessados em receber o alerta por e-mail devem se cadastrar pelo endereço: [email protected].

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