Brasília O vice-presidente da República e presidente em exercício, José Alencar (PL), defendeu ontem que o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) adote medidas políticas para a definição da taxa básica de juros.
A politização da política monetária contraria as opiniões da equipe econômica e serviria, de acordo com Alencar, para combater as ameaças de deflação, de retração da economia e de aumento do desemprego. ''Do ponto de vista de filosofia das taxas de juros, precisamos de decisões políticas, porque tecnicamente, (as decisões do BC) têm dado errado'', disse.
Com a taxa Selic em 26,5% ao ano, que vigora desde fevereiro, a atividade produtiva e o consumo são prejudicados. As compras a prazo no comércio e os pedidos de empréstimos pelas empresas, por exemplo, perdem força, reduzem o ritmo de crescimento da economia e, por consequência, inibem a criação de novos empregos.
Como resultado desse ciclo, no primeiro trimestre deste ano o País manteve-se praticamente estagnado do ponto vista econômico e a taxa de desemprego em São Paulo chegou a 20,6%, recorde histórico conforme o Dieese. ''Como vamos gerar emprego e acabar com o subemprego sem crescer? E como vamos crescer se a Selic é de 26,5%?'', disse Alencar. ''Os investimentos (na economia) só advirão quando a taxa de juros for compatível com a atividade produtiva''.
Para Alencar, o Brasil não é um ''país de subconsumo''. ''Não se pode diminuir o consumo de quem não consome. O Brasil está correndo o risco de pagar de juros um terço da carga tributária'', completou.
Apesar das reiteradas críticas à condução da política de juros pelo BC, Alencar se recusou a comentar a possível decisão da instituição na próxima reunião do Copom. Isso porque o vice-presidente disse acreditar que a manutenção dos juros em maio foi provocada por suas declarações em favor da redução da taxa.
''Dizem que as taxas de juros não baixaram porque eu falei. Então de pirraça eles não baixaram'', afirmou. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, na semana passada, que o Copom, se baixasse a taxa de juros em 1 ponto percentual, poderia ser levado a aumentar a taxa logo em seguida, opinião reafirmada pelo ministro da Fazenda, Antônio Palocci.
Alencar contrariou o discurso e afirmou que ''não teme'' que a redução dos juros leve, no futuro, a uma nova elevação da taxa. Entretanto, concordou com Lula na crítica aos juros cobrados pelos bancos.

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