Alemães investem no mercado nacional
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segunda-feira, 02 de junho de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
A indústria alemã de tecnologia e equipamentos destinados a reduzir níveis de poluição ambiental despertou para o mercado brasileiro e estima aumentar em até 7% a sua participação no País nos próximos cinco anos. A previsão é da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-Alemanha, que vê no País um mercado emergente com potencial de investimento. A entidade faz nesta quinta e sexta-feira o encontro Mercosul para Transferência de Tecnologia Ambiental Alemã. O encontro reunirá cerca de 150 empresários e representantes das Câmaras dos quatro países que compõem o Mercosul.
Durante o ano passado, a indústria brasileira investiu US$ 30 bilhões para combater a poluição do meio ambiente. O volume de dinheiro é considerado muito pouco. Ele é cinco vezes menor que o dos Estados Unidos e seis vezes inferior ao da União Européia. O mercado norte-americano aplicou US$ 150 bilhões em tecnologia para conter a poluição ambiental, enquanto os países da Europa aplicaram juntos US$ 180 bilhões.
O mercado brasileiro na área de meio ambiente ainda é desconhecido para os alemães, afirmou o presidente regional da Câmara de Indústria e Comércio Brasil-Alemanha de São Paulo, Klaus Wilhelm Lege. Além do Brasil, a indústria alemã tem interesse especial na Argentina e Chile.
A Alemanha é o segundo país que mais exporta tecnologia e produtos para o meio ambiente no Brasil, com uma participação de 25%. Os Estados Unidos estão em primeiro lugar no ranking de exportação com 35% do total. No mercado mundial, os dois países detêm 19% do fornecimento de produtos que controlam a poluição. Entre os equipamentos mais vendidos estão filtros para fábricas e incineradores.
Dados do Ministério do Meio Ambiente mostram que o País produz uma média diária de 90 mil toneladas de lixo doméstico. Apenas 2% são reciclados. O lixo tóxico chega a 2,7 milhões de toneladas por ano e grande parte é estocada nos geradores. Klaus Lege acredita que um dos problemas brasileiros é a falta de investimento em reciclagem e aterros sanitários. A Alemanha tem o know how para passar para a indústria brasileira, afirmou. Ele ressaltou que além das relações comerciais, a Câmara tem interesse em estimular a indústria brasileira a diminuir os índices de poluição ambiental.


