Brasília - A segunda medida do pacote anunciado ontem foi a desburocratização. O governo eliminará uma série de exigências e formulários dos exportadores, permitindo que eles realizem simultaneamente operações de venda (para transformação de dólares em real) e compra (para o movimento inverso) de moeda estrangeira. ''Isso tudo custa dinheiro. Fizemos a desoneração tributária com a flexibilização da cobertura cambial e estamos fazendo a desoneração operacional com essa segunda medida'', disse Guido Mantega.
A terceira medida é a permissão para que as empresas registrem no Banco Central os investimentos estrangeiros já contabilizados até 2004 nos balanços das empresas, mas que não estão registrados no BC. A medida, que ainda dependerá de regulamentação do BC, permitirá que as empresas façam remessas de lucros e dividendos sobre esses recursos, o que deve gerar uma pressão de compra de dólares e, consequentemente, atuar no sentido de desvalorizar o real.
Não só os exportadores foram beneficiados com o pacote cambial. Os turistas poderão pagar as compras nos free shops dos aeroportos e portos no Brasil em reais. Hoje, essas compras só podem ser realizadas em dólar. A medida não terá impacto na taxa de câmbio, mas o governo quis facilitar a vida do viajante brasileiro. ''É um ato de valorização do real. Não tem impacto cambial'', reconheceu o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Segundo Mantega, é ''inconcebível'' que a moeda nacional não seja aceita nas lojas de acesso restrito a passageiros em viagem internacional, instaladas em território brasileiro. (A.E.)

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