A retirada dos subsídios dos combustíveis derivados de petróleo anunciada na segunda-feira pode refletir positivamente nas vendas do álcool combustível. Esta é a opinião do presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Ermeto Barea. ‘‘O álcool passará a ter maior competitividade em relação à gasolina’’, afirmou.
Com o fim dos subsídios, a gasolina pode ficar 7,6% mais cara ao consumidor final. ‘‘Se o consumidor fizer as contas ele vai chegar à conclusão que o álcool ficará 20% mais barato por quilômetro rodado em relação à gasolina’’, comentou.
Mas a medida não deve refletir de imediato no setor, que enfrenta dificuldades para escoar grande volume do combustível estocado. Segundo Barea, o Paraná tem um excedente estocado entre 500 milhões e 600 milhões de litros.
No limite ‘‘Nossos estoques estão no limite máximo, e as vendas autorizadas pelo governo foram insignificantes em novembro, e para dezembro ainda não foram liberadas as cotas’’, afirmou. Barea disse que a crise pode acabar provocando a paralisação das atividades em três usinas no Estados. Ele não revelou quais são estas usinas, mas afirmou que o fechamento poderá provocar cerca de 8 mil demissões.
Barea disse que além do excedente, as usinas do Paraná trabalham com preços 50% inferiores aos praticados normalmente. O litro do álcool combustível é vendido para as distribuidoras entre R$ 0,20 e R$ 0,22, enquanto que o preço, segundo Barea, deveria ser R$ 0,415/l.
O presidente da Alcopar afirmou que os baixos preços descapitalizaram os produtores que ficaram impossibilitados de fazer os tratos culturais e renovações de lavouras. Com isso, observou Barea, a área destinada aos canaviais no Paraná na safra 99/00 deverá recuar entre 5% e 8%.
Área menor A Alcopar estima que a cultura ocupe 270 mil hectares, com uma produção de 22 milhões de toneladas de cana-de-açúcar, o que poderá render 1 milhão de litros de álcool e 750 toneladas de açúcar. A safra atual, que deveria ter se encerrado no dia 30 de novembro, já havia sofrido uma redução de 10% na área.
Além de repetir a redução de área, a safra 99/00 também terá novamente produção de açúcar aumentada em detrimento da produção de álcool. ‘‘Apesar do mercado de açúcar estar ofertado, as possibilidades de vender a produção são muito maiores em relação à comercialização do álcool’’, comentou.
Segundo Barea, o mercado de álcool no Brasil sofre com a concentração dos compradores, que se limitam a cinco distribuidoras, que são responsáveis pela compra de 90% da produção nacional.ArquivoQuestão socialAlcopar prevê fechamento de três usinas dispensando mão-de-obra no campo e na cidadeGuto Rocha

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