Medidas do governo para tentar baratear o preço do etanol devem ser divulgadas até o próximo mês, adiantou ontem o ministro da Agricultura, Wagner Rossi. A expectativa é de reduzir em 5% a quantidade de álcool anidro misturada na gasolina, que atualmente é de 25%. A Associação de Produção de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcopar), entretanto, minimiza a iniciativa e argumenta que ela poderá trazer prejuízos para a sociedade.
José Adriano da Silva Dias, superintendente da Alcopar, lembra que a legislação brasileira prevê que a quantidade de álcool anidro misturada à gasolina varie entre 20% e 25%. A possibilidade de redução em torno de 5% seria, para a Alcopar, insignificante se comparada ao montante de 600 milhões de litros utilizados mensalmente pela região Centro Sul.
O Paraná possui 24 usinas que produzem açúcar e etanol e seis destilarias - só para etanol. Até o final do mês, 22 fábricas estarão em safra, seis deverão iniciar em seguida e duas ficam para maio e junho. ''O Centro Sul soma mais de 100 empresas em safra. Por isso, a escassez do produto já deixou de existir e os preços começaram a baixar'', afirma. Por outro lado, segundo a Alcopar, o País importa gasolina todos os meses porque a capacidade de refino está no limite. ''Já estamos com esse ponto negativo. Se diminuirmos o percentual de álcool vamos reduzir o consumo de um produto que tem inúmeras vantagens para dar lugar a outro importado'', avalia.
Segundo o superintendente, o alto preço praticado pelo setor nos últimos meses se deve à queda de 18% (menos três bilhões de litros de etanol) da safra do ano passado, prejudicada pelo clima. Outro fator negativo sobre os preços é a falta de estoques reguladores, como previsto em lei, ''única forma do Governo interferir diretamente no mercado''. Dias criticou também a ausência de linhas de crédito para possibilitar que as indústrias renovem seus canaviais.
Regulamentação da ANP
Com a Agência Nacional do Petróleo, gás Natural e Biocombustíveis (ANP)
regulamentando o setor de etanol, a intenção é que o Estado financie diretamente, subsidie ou pelo menos facilite o processo de investimentos no Brasil, que foi interrompido em 2008 em função da crise financeira internacional. Com mais agentes no mercado e com o fortalecimento das empresas, espera-se que a produção aumente e que isso gere menos volatilidade no setor. ''Para nós, independe qual organismo do Governo Federal estará no controle, desde que coloquem em prática o que precisa ser feito'', opina o superintendente da Alcopar. (Com Agência Estado)

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