Curitiba - As medidas de política econômica de apoio à produção e à comercialização do álcool combustível, que acabam de ser anunciadas pelo governo federal, podem refletir num aumento de até 12% na produção de álcool no Estado. A estimativa da Associação de Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná (Alcoopar) é de que a produção totalize entre 1,25 bilhão e 1,3 bilhão de litros do produto nesta safra.
As medidas propostas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento estão dispostas no Decreto nº 4.353, publicado ontem no Diário Oficial da União. Entre elas estão a abertura de financiamento à estocagem do álcool; oferta antecipada de garantia de preços por meio de promessa de compra e venda futura do produto; e a equalização de custos de produção da matéria-prima, inclusive, sob a forma de equalização da taxa de juros, ou seja o governo pode bancar uma parte da alíquota de juros se a taxa estiver em alta no mercado.
Para o presidente da Alcoopar, Anísio Tormena, a medida mais significativa é a que trata de abertura de financiamento à estocagem, pois irá incentivar as usinas a produzirem mais álcool. ''Hoje, se não tiver financiamento, as unidades vão produzir mais açúcar do que álcool, já que o açúcar tem maior liquidez no mercado'', avaliou. A produção de açúcar no Paraná, segundo a Alcoopar, deve chegar a 1,55 milhão de toneladas nesta safra.
Outra vantagem resultante do decreto, ponderou Tormena, é a garantia de que não faltará álcool na entressafra (que corresponde aos meses de dezembro e abril na região Centro-Sul). Apesar de considerar ''uma conquista importante para o setor'', Tormena vê as medidas como ''normais'' e não como um privilégio para os produtores. ''Estamos reivindicando (financiamento à estocagem) há mais de 90 dias'', afirmou. ''Se o governo não tomasse nenhuma providência, culminaria com a falta de álcool na entressafra'', acrescentou. A Alcoopar ainda não tem um levantamento de quantas usinas paranaenses estão aptas a ter acesso ao financiamento.

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