Vânia Casado
De Curitiba
Os produtores de álcool do Paraná querem os mesmos benefícios que o governo de São Paulo está dando aos produtores paulistas, para incentivar o Proálcool. O presidente da Alcoopar (Associação dos Produtores de Açúcar e Álcool do Paraná), Anísio Tormena, pretende marcar uma audiência em caráter de urgência com o governador Jaime Lerner, já na próxima semana.
O governador também quis saber mais detalhes sobre o pacote de incentivo ao consumo de álcool, em São Paulo, e determinou que as secretarias da Agricultura, Fazenda e Indústria e Comércio proponham alternativas. A secretaria da Fazenda adiantou que o assunto está sendo estudado, mas não antecipou as propostas que estão sendo avaliadas. Limitou-se a informar que na próxima semana os estudos serão apresentados ao governador.
Os paranaenses alegam que precisam ter o mesmo tratamento tributário para não perderem mercado. Querem isenção do pagamento do IPVA para os carros novos movidos a álcool, por dois anos; redução na alíquota do ICMS sobre a venda do álcool combustível e eventualmente sobre os carros a álcool.
Com relação ao fornecimento de 1.000 litros de álcool ao comprador de carro novo, que seria dado pelos produtores como contrapartida aos incentivos dados pelo governo, Tormena antecipou que o assunto tem que ser discutido com os associados da Alcoopar. Ele disse que a dificuldade reside na logística de distribuição, mas admitiu que o assunto tem que ser melhor discutido e que como presidente da entidade não poderia se antecipar em assegurar um benefício que envolve todos os associados.
Tormena justifica que a redução do ICMS do álcool anunciada pelo governador de São Paulo é motivo de preocupação dos produtores dos demais Estados. Isso porque as grandes distribuidoras vão concentar a compra de álcool dos usineiros paulistas e vão distribuir o produto em outros Estados a preços inferiores. ‘‘Daí a perda de competitividade’’, explica.
Os produtores vão sugerir ao governador que negocie com a Agência Nacional do Petróleo (ANP) o repasse do subsídio de R$ 0,45 por metro cúbico de álcool que era repassado ao produtor, para compensar a renúncia fiscal. Ocorre que esse subsídio foi suspenso desde fevereiro e até agora o governo federal não esclareceu os motivos. Tormena admite que o assunto é polêmico, mas não há outra alternativa diante da possibilidade de os produtores perderem mercado daqui para frente, agravando ainda mais a situação das usinas.
Se essas medidas forem adotadas, Tormena acredita que até abril de 2.000, período de entrada da próxima safra, os estoques excedentes de álcool do Paraná estarão zerados. O Paraná deverá produzir 1,1 bilhão de litros de álcool nesta safra, e os estoques podem subir para 2,1 bilhões. Segundo Tormena, o período é de pico de safra e muitos produtores estão com suas unidades abarrotadas de álcool, na iminência de entrar em colapso por falta de local para guardar a produção. Ele disse que a BBA (Bolsa Brasileira de Álcool), está com um volume de 1,3 bilhão de litros em estoque.

mockup