Álcool subiu 40% enquanto a gasolina disparou 172%
Duas semanas após o último aumento dos combustíveis anunciado pelo governo federal, o consumidor de Curitiba se surpreende com um novo reajuste nos preços da gasolina e álcool. Desta vez a responsabilidade pelo encarecimento está sendo atribuída ao setor sucroalcooleiro, que retirou descontos tanto do álcool hidratado quanto do anidro. O produto começou a chegar mais caro nas distribuidoras que decidiram repassar ao custo ao comércio varejista e, por consequência, ao consumidor.
O reajuste das distribuidoras é de 20% para o litro de álcool e de 2% ou 3% para gasolina. A diferença nos percentuais se deve à adição do álcool anidro na gasolina, que hoje recebe 24% do produto. Nós não aumentamos o preço do álcool. O que fizemos foi retirar os descontos que foram colocados, quando o governo federal fixou um preço para o álcool, em 1997, justificou, ontem, o superintendente da Associação dos Produtores de Álcool (Alcoopar), José Adriano da Silva Dias.
Segundo Dias, o preço do álcool para os usineiros passou de R$ 0,413 o litro em maio de 1997 para R$ 0,580 neste mês, o que representa uma variação de 40%. Nos mesmos 3,5 anos, a gasolina aumentou 172% passando de R$ 0,334 para R$ 0,910, na refinaria.
A retirada do desconto do álcool só foi possível devido à falta de produto no mercado consumidor, nos últimos meses. Os produtores de cana-de-açúcar vão colher menos por causa da seca em 1999, que atingiu as lavouras das regiões Sul e Sudeste. Diante da escassez do produto, o governo federal estuda a possibilidade de reduzir de 24% para 22% a quantidade de álcool na gasolina.
O novo aumento dos combustíveis causa mais irritação no comércio varejistas. Os donos dos postos de gasolina reclamam que a cada reajuste perdem clientes e aumenta a inadimplência. Ninguém mais tem condições de suportar aumento no combustível. O preço ficou proibitivo, protestou o presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Combustíveis, Roberto Fregonese. Na avaliação de Fregonese, alguns postos poderão reduzir ainda mais as margens de lucro para não perder ainda mais clientela. (Carmem Murara)





