Álcool pode chegar a R$ 1,00
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domingo, 01 de julho de 2001
Benê Bianchi De Londrina 
Depois da gasolina, é hora dos preços do álcool entrarem em trajetória ascendente. Os preços, em muitos postos do Estado, começaram a aumentar na semana passada e a tendência é que cheguem perto de R$ 1,00 o litro, de acordo com informações do presidente do Sindicato dos Revendedores de Combustível do Paraná (Sindicombustíveis), Roberto Fregonese.
O combustível é vendido nas usinas a R$ 0,50/R$ 0,51 o litro. Segundo Fregonese, a este valor são agregados os tributos, elevando o custo para os revendedores em cerca de R$ 0,30. O preço que o combustível está sendo vendido, principalmente na região de Londrina, é irreal. Preços abaixo de R$ 0,80 são indícios de sonegação fiscal, acusa ele. De acordo com Fregonese, as distribuidoras vendem, no Estado, apenas 20% do álcool consumido. O restante é fruto de pirataria.
Na semana passada, o combustível começou a aumentar em Londrina. Vários postos reajustaram os preços de R$ 0,02 a R$ 0,10. Nos vários postos pesquisados pela Folha, o litro variava entre R$ 0,79 e R$ 0,89. De acordo com Fregone, em Curitiba, o preço médio do litro era R$ 0,89 na sexta-feira.
O Estado consome de 750 milhões a 800 milhões de litros de álcool por ano, segundo dados da Associação de Produtores de Álcool e Açucar do Estado do Paraná (Alcopar). O superintendente da entidade, José Adriano da Silva Dias, informa que a produção é suficiente para abastecer o mercado estadual, sendo que 50% do total produzido é de álcool anidro (que é adicionado à gasolina) e o restante de álcool hidratado (usado nos veículos à álcool).
O consumo do álcool hidratado já foi maior no Estado, de acordo com José Adriano, embora o consumo, de uma forma geral, se mantenha estável devido ao aumento no consumo do álcool anidro. Hoje, temos uma frota de 2,6 milhões de veículos movidos à álcool no Brasil e o restante, movido à gasolina, roda com 22% de álcool anidro, diz ele.
Mas o consumo de álcool hidratado pode aumentar. As concessionárias e estacionamentos que revendem carros usados estão registrando um aumento na procura por veículos movidos a álcool, devido aos preços da gasolina. O carro a álcool é mais fácil de vender, principalmente os que custam na faixa de R$ 8 mil a R$ 9 mil, atesta o vendedor Antonio Ulisses da Cunha Filho, do Estacionamento Palma.
Lindomar Lenzi, encarregado do departamento de usados da Norpave (concessionária Volkswagen), também informa que a procura pelas linhas mais econômicas movidas a álcool cresceu, em decorrência do preço da gasolina. O álcool nunca esteve tão barato em relação à gasolina, observa. No entanto, os preços dos veículos não têm diferença, como antigamente, quando o carro à álcool era mais barato.
Hoje, em alguns casos, ocorre o contrário. Em função da oferta e procura, os descontos concedidos nos veículos à gasolina podem ser maiores. Mas o preço de tabela dos veículos novos é o mesmo tanto para o carro a álcool quanto para o movido à gasolina, informa Lenzi.
Ele mesmo trocou seu carro à gasolina por um a álcool, recentemente. Estou bastante satisfeito, afirma. Segundo seus cálculos, a economia que tem feito em dinheiro para abastecer o carro chega a 40%. Para abastecer o tanque, de 55 litros, gasto R$ 37,00. Se o carro fosse à gasolina, gastaria mais de R$ 90,00.
Embora o combustível seja mais barato, o consumidor deve fazer as contas antes de decidir trocar seu carro à gasolina por um movido a álcool. Estes veículos têm um consumo maior para desenvolver a mesma quilometragem percorrida por um carro à gasolina. Normalmente, um carro à gasolina faz 10 quilômetros por litro na cidade. O carro a álcool faz sete quilômetros, informa o instrutor do curso de mecânica automotiva do Serviço Nacional de Aprendizagem da Indústria (Senai), Roberto Oliveira.
Ele ressalta que há variação de consumo de carro para carro e que os fatores que o determinam são as características do veículo (como o peso e a potência) e a manutenção.


