Curitiba - Abastecer o carro virou tarefa de matemática para o consumidor que busca o melhor preço. Até o final de 2009, o Paraná figurava entre os estados brasileiros onde abastecer carro com álcool ainda era vantajoso em relação à gasolina, posição ainda apontada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP). No entanto, neste começo de ano, encontrar essa vantagem não é mais tarefa fácil. Em dez postos de Curitiba e do Litoral do Estado pesquisados pela reportagem, o preço do álcool está acima de R$ 1,79 por litro, chegando até a R$ 2,08, em Matinhos.
No cálculo recomendado para avaliar a vantagem de um ou outro combustível, o preço do litro do álcool deve ser 30% menor do que da gasolina, uma vez que a autonomia do veículo com ele é, em média, 30% menor. O preço da gasolina no Paraná estaria em torno de R$ 2,58, segundo o levantamento divulgado anteontem pelo Ticket Car, produto de gestão de despesas de veículos da empresa Ticket.
Em cinco meses, o aumento no preço do combustível foi de 21%, segundo o levantamento. No Paraná, o principal motivo dessa inflação seria a dificuldade de processar toda a matéria-prima da última safra de cana, segundo o presidente da Associação de Produtores de Bioenergia do Estado do Paraná (Alcolpar), Anísio Tormena. Cerca de 10 milhões de toneladas não puderam ser processadas em razão das chuvas constantes do segundo semestre de 2009 e devem ser aproveitadas neste início de ano.
''Por causa das condições climáticas adversas, ficou difícil retirar a cana do campo. Assim a oferta diminuiu muito. Não é esse o desejo do produtor. O setor não tem intenção de vender mais caro'', argumenta. Contudo, Tormena avisa: ''esse mercado 'bagunçado' deve ficar até março. A partir de abril o preço deve voltar ao normal''.
Os números da produção do setor foram fechados ontem. Ao todo, 42,8 milhões de toneladas de cana foram processadas ao longo de 2009. Foram produzidas 2,38 milhões de toneladas de açúcar e 1,756 bilhão de litros de etanol. Os montantes representam um decréscimo em relação ao ano anterior, quando 43,26 milhões de toneladas de cana foram moídas para a produção de 2,42 milhões de toneladas de açúcar e 1,97 bilhão de litros de álcool.
A diminuição na produção foi somada ao maior número de veículos em circulação. Enquanto em 2008 o país consumia 1,5 bilhão de litros de etanol por mês, no ano passado o total passou a 2 bilhões de litros mensais, de acordo com a Alcopar. Esses dois fatores juntos levaram a redução de oferta do produto no mercado e, consequentemente, reajuste nos preços.
Para esse ano, a promessa de Tormena é ''uma safra excepcional''. Enquanto isso, a expectativa é que a reunião ministerial da próxima segunda-feira, sobre a redução ou não do porcentual de mistura de etanol à gasolina, traga alguma solução a curto prazo. A reportagem procurou o Sindicombustíveis-PR para comentar o assunto, mas não obetev sucesso.

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