Álcool na gasolina pesa no bolso
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quinta-feira, 09 de maio de 2002
Benê Bianchi <br>Reportagem Local 
Londrina - Muitos proprietários de veículos a gasolina podem ainda não ter se dado conta, mas 24% do combustível que utilizam hoje é álcool e em breve o percentual pode saltar para 26%. O Senado já aprovou o projeto que autoriza a alteração, mas acrescentou várias emendas e a proposta retornou para a Câmara Federal. Originalmente, o projeto propõe que o índice de álcool misturado à gasolina passe a 25%, mas com uma tolerância de 1% para cima.
O diretor do Departamento do Açúcar e do Álcool do Ministério da Agricultura, Angelo Bressan Filho, informa que após a sanção do presidente da República, haverá um estudo técnico para avaliar a viabilidade da ampliação da mistura. Esse estudo refere-se mais às questões de mercado, com análise da disponibilidade do álcool para atender a demanda. Bressan Filho diz que já há estudos técnicos demonstrando que os veículos suportam a alteração sem que apresentem problemas mecânicos.
A alta porcentagem de álcool anidro misturado à gasolina pode não acarretar danos aos veículos, principalmente aos injetados, mas o consumidor poderá sentir no bolso o preço da mudança. O instrutor da área de injeção eletrônica do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) em Londrina, Fernando Ramos Ribeiro, explica que o álcool é menos energético, requerendo mais combustível para ter o mesmo desempenho que o veículo movido à gasolina.
Ele exemplifica: Um veículo 1.6, bem regulado, faria 14 quilômetros por litro de gasolina pura, na estrada. Adicionando 20% de álcool, a autonomia do mesmo carro seria de 13,6 quilômetros por litro; e com 26% a média cai um pouco mais, para 11,9 quilômetros por litro. Ou seja, para cada litro de gasolina com adição de 26% de álcool, o carro perderia 1.100 metros de autonomia.
Quanto aos hipotéticos danos que a mistura poderá provocar aos veículos, Fernando Ribeiro informa que não há dados suficientes para se afirmar que possam ocorrer. O instrutor informa que há duas categorias de automóveis, que são os chamados carburados e os injetados. No primeiro grupo estão os veículos mais antigos, fabricados até 1995, os quais poderiam sofrer um pouco mais com o combustível misturado.
No sistema de injeção eletrônica, o contato do combustível com a válvula injetora é menor. Outro fator que protege o sistema é o aço inoxidável, material usado na válvula injetora. Para saber se a mistura causa problemas aos veículos seria necessário avaliá-los por um longo período. Mesmo que venha a ocorrer qualquer dano, não será relevante, considera.
O instrutor do Senai lembra, no entanto, que os moradores de países vizinhos onde a gasolina não tem mistura com álcool devem estar atentos. Como os carros brasileiros acabam sendo regulados para consumir um combustível misturado, podem apresentar problemas se forem abastecidos, com frequência, com gasolina pura.
Evolução da mistura
Ano - legislação - Porcentagem de álcool
1993 - lei 8.723 - 22%
1998 - Medida Provisória 1662 - 24%
2000 - Decreto 3.552 - 20%
2001 (maio) - Decreto 10.203 - 22%
2001 (dezembro) - Portaria 589 - 24% (em vigor desde 10 de janeiro de 2002)
OBS.: O Ministério da Agricultura tem historiadas as alterações dos percentuais de álcool na gasolina desde 1993. Os registros anteriores não estão catalogados. Sabe-se que na 2ª Guerra Mundial foi baixado um decreto determinando a mistura de 5% de álcool à gasolina.
Fonte: Ministério da Agricultura


