Antes com baixa procura, o álcool gel foi alçado à condição de produto de primeira necessidade pela população no combate ao vírus H1N1. Para suprir a demanda, as indústrias intensificaram a produção e as farmácias de manipulação passaram a oferecer o produto. Os especialistas reforçam que, independentemente de ser líquido ou gel, o único que tem ação bactericida é o álcool a 70 graus.
O gel, no entanto, é mais indicado por ser mais seguro e por ressecar menos a pele. ''O gel e o líquido são igualmente inflamáveis, a diferença é que o gel esparrama menos e, portanto, é mais seguro para ser usado no dia a dia'', explica a farmacêutica Lucimara Dal Col Bertoli, proprietária da rede de farmácias de manipulção Phloraceae.
Há menos de um mês, a empresa passou a produzir álcool gel a 70 graus para atender a demanda. Até então, o item era manipulado somente para uso interno dos funcionários. Estão disponíveis embalagens de 380 gramas (R$ 15), 120 gramas (R$ 9) e 60 gramas (R$ 5,80). Também há opções com aloe vera, que custam os mesmos preços. A aloe vera, no caso, teria a função de amenizar o ressecamento da pele provocado pelo álcool.
Segundo Lucimara, o álcool comum, adquirido geralmente para limpeza, não tem ação bactericida. Além de optar por álcool a 70 graus, ela orienta que o consumidor deve ver se a embalagem traz registro do Ministério da Saúde.
O álcool a 70 graus, segundo a farmacêutica, é produzido a partir da mistura de álcool absoluto com água purificada. ''No laboratório, fazemos cálculos e, utilizando o alcoometro, chegamos ao álcool 70 graus'', explica Lucimara. ''Para atingirmos o estado semi-sólido (gel) utilizamos uma substância chamada carbômero'', completa. Ela diz que a procura está bem grande nas farmácias da rede, mas não existe um parâmetro, pois o produto antes só era produzido para uso interno.

Linha ''pocket''
No comércio em geral, as embalagens menores são as mais procuradas, já que o álcool gel é recomendado para desinfetar as mãos em situações ou ambientes onde não é possível lavá-las com água e sabão. Andréia Salgado, que trabalha com a distribuição de uma marca de cosméticos em Londrina e região, diz que o álcool gel, que antes era apenas brinde para alguns clientes, passou a ser um dos produtos mais procurados nas últimas semanas.
''Há dois dias chegaram 200 frascos e hoje (ontem) só tenho 50'', diz ela, que vende a embalagem de 60 ml a R$ 10. Andréia garante que o preço não subiu. ''A venda está ótima, só lamento que seja por um motivo tão grave como essa nova gripe'', observa. A representante afirma que está tendo que divulgar que tem o produto porque nem os seus clientes sabiam que ela já vendia anteriormente. ''Quando as pessoas ficam sabendo, compram na hora. É bom porque dá para carregar no bolso''.
Carlos José de Oliveira, vendedor da rede de farmácias Drogamais, diz que a embalagem de álcool gel de 200 ml (que custa R$ 10,20), está em falta. ''Amanhã (hoje) deve chegar. Por enquanto, só temos as maiores, de 500 ml (R$ 20,10) e 1 litro (R$ 38,90)'', afirma. Os produtos são manipulados pela própria farmácia.
O advogado Roberto Rabello Júnior comprou nesta semana dois frascos de álcool gel de 60 ml. ''Deixo no carro e utilizo sempre que estou em trânsito ou na rua'', conta. A preocupação com a nova gripe aumentou depois que o advogado teve um parente infectado pelo vírus H1N1. Um cunhado dele está internado na UTI de um hospital de Curitiba. ''A gente acha que não precisa se preocupar tanto, mas depois que acontece na família percebemos a gravidade da situação'', afirma.

mockup