Álcool em casa deve ser bem guardado
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quinta-feira, 14 de junho de 2007
Eli Araujo<br>Reportagem local 
Comprar álcool etílico para uso doméstico faz parte da rotina de boa parte das pessoas que vão aos supermercados. E ter o produto em casa sempre foi sinômino de algo perigoso. Mas ao que tudo indica, os consumidores estão conscientes do risco quando compram o produto, seja em líquido ou em gel.
A securitária Solange Aparecida Caetano Almeida usa álcool diariamente para fazer limpeza tanto em sua casa quanto no escritório onde trabalha. E o tipo do produto varia de acordo com o objeto que vai limpar. Uso o gel para limpeza de ambientes secos, tipo mesas, geladeira, essas coisas. E o álcool líquido uso até para retirar o excesso de sabão em pó que fica na roupa depois de lavada. Solange tem um filho de 12 anos e diz que toma todos os cuidados necessários para evitar problemas. Deixo o álcool em um lugar alto em casa, onde ninguém perceba que eu comprei. É para não ter risco.
O corretor de seguros Celso Baldo estava em um supermercado comprando uma embalagem de meio litro de álcool líquido para uma finalidade específica: Acender a churrasqueira, somente isso. Ele diz que leva em conta apenas o preço na hora de comprar o produto porque acredito que em termos de qualidade não há tanta diferença assim. Baldo afirma que sempre sobra um pouco de álcool na embalagem depois que acende a churrasqueira, mas guarda o restante direitinho.
Ele afirma também que como profissional do setor de seguros nunca atendeu a nenhuma ocorrência causada pelo uso indevido do álcool, mas já tomou conhecimento de vários acidentes provocados pelo combustível. Ter o álcool em casa aumenta o risco de incêndio. Por isso, o produto deve ser guardado em local apropriado, longe de crianças para não ter problema. Basicamente é isso.
O álcool etílico é um produto de uso obrigatório no ambiente de trabalho da enfermeria Fátima Moscado. Além de fazer a assepsia na hora da injeção, a gente usa o álcool para desinfetar e para limpar superfícies, como por exemplo, mesas, balcão e pias. A enfermeira diz que usa apenas o álcool líquido no trabalho e os dois tipos em casa. Faz pouco tempo que passei a usar o gel. Ele é melhor para a desinfecção das mãos porque a gente passa e não fica tão ressecada quanto o líquido.
Na casa de Fátima moram apenas duas pessoas, ela e o marido, que usa o álcool apenas para acender a churrasqueira. O casal não tem filhos. Mesmo assim, ela demonstra extrema preocupação com o assunto. Tem que tomar muito cuidado, muito cuidado com certeza, afirma de maneira enfática. Segundo ela, quem tem criança deve tomar cuidado em dobro porque, nossa, é muito perigoso mesmo. Brincar com álcool, nem pensar.
A enfermeria argumenta que toda essa preocupação se justifica porque já testemunhou casos de pacientes que chegaram à unidade com queimaduras causadas por álcool. Geralmente são crianças. Às vezes, o pai dá uma pequena distraída e isto já é o suficiente para a criança se queimar. Por isso, todo cuidado é pouco.
Entidades querem restringir venda do produto
Um estudo realizado recentemente pela Pro Teste comprovou que o álcool em gel é tão perigoso quanto o em líquido. Ou seja, se os dois produtos tiverem o mesmo teor, o risco de combustão é o mesmo.
O estudo comprovou ainda a eficiência do álcool como bactericida, o que leva muitas donas de casa a utilizar o produto na limpeza doméstica. Porém, de acordo com especialistas, o risco não compensa.
A Associação Brasileira dos Produtores e Envasadores de Álcool fez um a pesquisa junto a consumidores e constatou que 5% dos entrevistados sofreram algum tipo de acidente doméstico em função do uso de álcool.
Diante do problema, um grupo de entidades pede que o Congresso Nacional elabore leis que estabeleçam restrições à venda do álcool para uso doméstico.
Cuidados necessários
- As embalagens de álcool devem ser mantidas longe do alcance de crianças e animais, em prateleiras altas, e separadas de alimentos, bebidas, medicamentos e cosméticos.
- As embalagens também devem ficar longe dos raios solares, da umidade e do fogo.
- As embalagens não devem ser reaproveitadas.


