O reajuste no preço do álcool aplicado nos últimos dias pelas 29 usinas e destilarias do Paraná vai, a partir de hoje, chegar ao consumidor. Embora a Associação dos Produtores de Álcool do Paraná (Alcopar) diga que os índices variaram de 6% a 8%, o litro deverá subir mais de 20%. Diretores da distribuidora Shell, por exemplo, disseram ontem à noite que a partir de hoje vão repassar o aumento para os revendedores, o que significa mais R$ 0,10 ou R$ 0,12 por litro nas bombas.
Este aumento antecipa-se ao reajuste dos combustíveis, que deve ser anunciado pelo governo até o final desta semana. Segundo o presidente da Alcopar, Anísio Tormena, a elevação do preço ‘‘ foi determinada pelo próprio mercado’’. Houve, segundo ele, aumento de demanda e competitividade com a gasolina. Uma situação satisfatória para o setor, que passou a se impor devido à queda na produção, que caiu de 1,030 bilhão de litros na safra passada para 950 milhões neste ano.
Principalmente por isso, há motivos de sobra para comemorações. O litro do álcool, que em 1999 custava nas unidades produtoras R$ 0,28, hoje é vendido, conforme a Alcopar, por uma média de R$ 0,48, saindo, com os encargos, mais de R$ 0,60. ‘‘ Os preços estão razoáveis e dão lucro para toda a cadeia produtiva’’, comentou Tormena.
O presidente do Sindicombustíveis, Roberto Fregonese, disse que somando os tributos e custos operacionais, o litro do álcool chega aos postos por aproximadamente R$ 0,70. Portanto, deve ser revendido nas bombas, em média, entre R$ 0,80 a R$ 0,85.
Durante todo o dia de ontem, tanto no caso do álcool como na gasolina, o mercado no Paraná estava confuso. Foi o primeiro dia útil após a entrada em vigor da Medida Provisória que determina tributação federal do PIS e Cofins diretamente das refinarias. Estes impostos deveriam ser recolhidos pelas distribuiras, mas várias delas conseguiram isenções através de liminares na Justiça.
Até sexta-feira passada, portanto, os postos que revendiam produtos sem recolhimento dos impostos, podiam oferecer preços menores. Agora, como as refinarias passaram a embutir o percentual nos preços, em tese o produto chega nas mesmas condições ao revendedor. O reflexo começou a ser sentido ontem mesmo, porque quem dava descontos para competir, retornou ao que seria o valor normal.
No Auto Posto João Gualberto, em Curitiba, por exemplo, a gasolina que sexta-feira era vendida por R$ 1,19, passou ontem para R$ 1,29. Segundo o proprietário, Paulo Sérgio Parré, a distribuidora Esso retirou ‘‘ a promoção’’, criada apenas para competir com a concorrência que oferecia preços mais baixos. A própria Esso era beneficiada pela Justiça e não recolhia o PIS/Cofins ao retirar gasolina na Refinaria do Paraná (Repar).
Além da confusão de ontem sentida pelo mercado, o consumidor pode se preparar para mais novidades: até o final desta semana o governo deve anunciar o reajuste da gasolina, diesel e demais derivados, que deve ficar em 14%.

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