O Brasil foi o primeiro país do mundo que, na crise do petróleo na década de 70, desenvolveu tecnologia para motores movidos a álcool. O carro a álcool está completando 25 anos. E desenvolveu também a tecnologia de produção da matéria-prima para o álcool, com variedades de cana mais produtivas e outros atributos agronômicos. O País também investiu no parque moageiro com expansão das tecnologias. Um programa emergente com conotação nacionalista. Era preciso buscar alternativas para o combustível fóssil, finito e não renovável. E nas mãos dos outros.
Mas o Programa Nacional do Álcool (Proálcool) foi ganhando adversários e, mesmo depois de consolidado, entrou em crise. Não faltam argumentos técnicos, porém, para defender o álcool.
Agora mesmo, o assessor econômico da Sabarálcool, destilaria de Engenheiro Beltrão, Fábio Vicari Rezende mostra a eficácia do combustível da cana. Baseado em estudos de viabilidade econômica entre carros à álcool e os movidos à gasolina, o levantamento feito pela Sabarálcool - Usina de Açúcar e Álcool, indica que, mesmo com a queda do preço da gasolina, proprietários de automóveis a álcool ainda levam vantagens no bolso. A análise, desenvolvida por Fábio Vicari Rezende, Assessor Econômico da empresa, revela que o combustível gasolina só apresentaria competitividade frente ao álcool quando o preço do litro despencasse para R$ 1,12, e o litro do álcool permanecesse a R$ 0,83. ‘‘Neste caso, os custos ainda seriam iguais’’, explicou.
Estudioso no setor, Rezende garante que a pesquisa é confiável, principalmente, por levar em consideração diversos fatores, dentre os quais, preços dos automóveis, consumo de cada um na estrada e na cidade, taxas de IPVA, seguro obrigatório, até chegar ao preço de cada combustível praticado na bomba. Para isso, o estudo se baseou em dois modelos Wolkswagem Gol, um a álcool e outro a gasolina, que percorreram 25 mil quilômetros cada um.
Utilizando uma ferramenta financeira conhecida como ‘‘valor presente’’ - instrumento que traz aos dias de hoje os resultados desde o investimento inicial, custos e despesas que, passam a ser incorridos durante 12 meses a um determinada taxa de desconto (1,5% ao mês) até a venda do mesmo com depreciação de 20%, Rezende chegou a conclusão de que, mesmo com o preço da gasolina a R$ 1,36 - valor que deveria ser cobrado na bomba, e o álcool a R$ 0,83, ainda assim o consumidor que comprar o carro a álcool levará uma vantagem anual de R$ 417 sobre o carro a gasolina. Como o preço na bomba da gasolina está em média R$ 1,45, a economia do carro a álcool, neste caso, é ainda maior: R$ 585. De acordo com o estudo, hoje somente a economia anual com o combustível (desconsiderando a taxa de desconto) está em R$ 667,40 a favor do álcool.
Para o pesquisador, o estudo não tem por finalidade realizar algum tipo de pressão no mercado, mas apenas provar que existe uma discriminação sobre o carro a álcool no Brasil. ‘‘Não entendo porque um modelo que pode levar vantagens ao consumidor e ao país é marginalizado pelas montadoras’’, questiona ele.

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