Alceni diz que venda da Copel não sai tão cedo
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Maria Duarte<br>De Curitiba 
A venda da Companhia Pa ranaense de Energia (Copel) parece cada vez mais improvável de acontecer ainda este ano, como havia pro gramado o governador Jaime Lerner (PFL). A privatização pode acabar nas mãos do próximo governador, seja ele do grupo lernerista ou da oposição que está contra a venda.
O primeiro escalão do Palácio Iguaçu já admite a possibilidade de a privatização ficar mesmo para 2002 ou até para a próxima administração, mas ainda há descompasso no discurso oficial. Ontem, Jaime Lerner não desmentiu nem confirmou a tese de que a venda não será concretizada em sua gestão. O governo tentou vender a empresa duas vezes, mas fracassou.
Lerner se reserva o direito de decidir sobre a venda. ''O governo é que vai conduzir (a privatização), na hora que for conveniente para o povo do Paraná. E ponto final'', resumiu o governador.
O secretário-chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, e o secretário da Comunicação Social, Rafael Greca, já admitiram que a privatização deve ficar para o ano que vem. Guerra disse que o próximo governador eleito terá que se encarregar da venda ou mexer nas regras para o setor energético. O chefe da Casa Civil alega que a Copel não se manterá no mercado como estatal, porque vai perder competitividade.
Greca declarou que o governo pode desistir da venda. O recuo seria motivado, de acordo com o secretário, pelo cenário econômico internacional desfavorável, entre outros fatores. O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Hermas Brandão (PSDB), tem a mesma opinião. ''Faz tempo que eu digo que essa venda não sai'', declarou.
O Fórum Popular Contra a Venda da Copel comemora. O presidente do Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge) uma das 400 entidades que compõem o fórum , Carlos Roberto Bittencourt, prometeu lutar contra a privatização em qualquer governo, porque, em sua opinião, a empresa é estratégica. ''Não há mais espaço para vender, devido às circustâncias econômicas e à crise de energia no Brasil. Esse problema não vai se resolver em 2002'', argumentou. ''E tem a agravante de que será ano eleitoral, quando dificilmente o governo terá apoio para privatizar.''
Aliados do Palácio Iguaçu avaliam que, se a oposição chegar ao governo, terá sérios problemas junto à opinião pública para mudar radicalmente o discurso no caso de decidir vender a estatal.


