Alca pode elevar eficiência do País, avalia BID
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 23 de junho de 2003
Sheila D'Amorim<br> Agência Estado 
Brasília A criação da Área de Livre Comércio das Américas (Alca) deverá mudar o perfil dos investimentos estrangeiros diretos no Brasil. Na avaliação do economista-chefe do Departamento de Pesquisa do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), Ernesto Stein, o grosso desses investimentos nos últimos anos foi influenciado pelo processo de privatização e voltado para conquista do mercado interno, o que em economia se chama investimentos horizontais. ''O Brasil não registrou investimentos verticais e pode ser o grande beneficiado nesse setor com a Alca'', avalia o economista, referindo-se a projetos estrangeiros que visam aumento da eficiência produtiva com objetivo de ganhar espaço no comércio internacional.
Com a integração econômica, as empresas tendem a instalar unidades produtivas em países que ofereçam mais recursos e menores custos. Além de aquecer a economia e criar empregos, esses investimentos favorecem as exportações, ajudando a manter o equilíbrio nas contas externas. De acordo com um estudo sobre o impacto dos acordos de integração regional para a América Latina elaborado pelos economistas do BID, a criação da Alca proporcionaria um incremento de até 27% nos investimentos estrangeiros para os países da região.
''As evidências indicam que os acordos de integração regional podem ter efeitos importantes no investimento estrangeiro direto, tanto para seus participantes quanto para os não participantes, embora os ganhos proporcionados dificilmente sejam distribuídos igualmente'', explicou Stein.
Os ganhos, segundo ele, podem ser menores para países menos desenvolvidos, fechados ao comércio internacional e, em geral, pouco atraentes para investidores estrangeiros. Para os economistas, num processo de integração regional haverá sempre ganhadores e perdedores. O Brasil, defende Stein, pode ser um dos grandes beneficiados.
Além do aumento dos investimentos diretos, acordos de integração como a Alca deverão acelerar o andamento de reformas estruturais importantes nas economias da América Latina. ''Tudo dependerá das bases que serão firmadas, mas, pelas declarações das autoridades envolvidas, tudo indica que a Alca pode ser um fator importante para se avançar nessas reformas'', afirma Robert Devlin, subgerente do Departamento de Integração e Programas Regionais do BID.
Outro ponto decisivo deverá ser a integração dos mercados financeiros, que, na avaliação dos economistas, terá de evoluir gradualmente e com cautela. A grande vantagem nessa área será assegurar o acesso a linhas de financiamento para as empresas da região.
Para ele, o aumento da participação de grupos estrangeiros no mercado financeiro da América Latina pode trazer mais tecnologia e crescimento do volume de crédito em geral e também das linhas destinadas ao comércio internacional. Por outro lado, uma desvantagem apontada é o fato de que essas instituições tendem a tratar de forma diferenciada grandes e pequenos clientes.


