Brasil e Estados Unidos estão próximos de um entendimento para permitir o início das negociações sobre acesso a mercado na Área de Livre Comércio das Américas, a Alca, no primeiro semestre do ano que vem.
Por iniciativa norte-americana, os dois governos exploram, também, a possibilidade de assumirem já em abril de 2002 a co-presidência das negociações, ou seja, seis meses antes do prazo previsto pelo cronograma acertado na reunião ministerial da Alca na Costa Rica, em 1998.
De acordo este calendário, o Brasil e os EUA comandariam as negociações de outubro de 2002 a dezembro de 2004, o prazo final para sua conclusão. A mudança já foi objeto de consultas com o governo do Equador, que teria de aceitar a redução para um ano de seu período na presidência das negociações, que começam no mês que vem, na Cúpula das Américas, em Québec.
Fontes de ambos os países disseram ontem que os dois governos trabalham com essas duas idéias na elaboração de um anúncio que, idealmente, será divulgado depois do encontro que o presidente Fernando Henrique Cardoso terá com o presidente George W. Bush, na Casa Branca, na tarde da próxima sexta-feira.
O objetivo dos EUA é usar a visita de Fernando Henrique para reconhecer o papel central do Brasil para a efetivação da Alca e, ao mesmo, tempo, mostrar que os dois países estão sintonizados e dispostos a avançar.
A nova administração americana, que colocou a liberalização do comércio no hemisfério entre as suas prioridades, espera que a mensagem do encontro entre Bush e o líder brasileiro seja reforçada pela Cúpula de Québec e contribua para convencer o Congresso a aprovar a legislação necessária para poder negociar com credibilidade novos acordos comerciais.
O governo brasileiro já havia acolhido bem a proposta americana de iniciar o quanto antes as negociações sobre as modalidades do acordo quando ela foi apresentada, numa reunião de vice-ministros da Alca, realizada em Lima, no final de janeiro.
Os países do Caribe, que têm interesse em prolongar ao máximo o acesso privilegiado que têm hoje ao mercado americano, ficaram contra e propuseram que as discussões só começassem no segundo semestre do ano que vem.

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