Miami A proposta de uma Área de Livre Comércio das Américas (Alca) flexível pode salvar a reunião de Miami e talvez a própria Alca, mas pode ser ruim para a unidade do Mercosul. O representante de Comércio Exterior dos Estados Unidos, Robert Zoellick, sabe disso e observou que alguns países do bloco têm disposição para ir mais longe do que outros, nos compromissos da Alca. Ele se referia tanto à Argentina quanto ao Uruguai.
O Brasil e os sócios do Mercosul devem negociar em conjunto os compromissos básicos do acordo hemisférico, especialmente as questões de acesso a mercados. O chanceler brasileiro Celso Amorim reiterou a expectativa de que o bloco possa iniciar brevemente a discussão desse tema com os EUA, dentro do esquema de compromissos flexíveis agora previsto para a Alca.
Mas fontes admitem que países do Mercosul poderão separar-se, quando tiverem de cuidar do segundo piso das negociações, assumindo compromissos opcionais sobre investimentos, serviços, propriedade intelectual e compras governamentais.
Uma fonte argentina reconheceu essa possibilidade, mas observou que a decisão, nesse caso, só poderia vir de um nível político mais alto. Ninguém abaixo do ministro de Relações Exteriores, Rafael Bielsa, poderia dar uma orientação sobre o assunto. O secretário de Comércio Exterior da chancelaria argentina, Martín Redrado, disse numa entrevista que o Brasil é parceiro estratégico de seu país. Mas ele mesmo não havia descartado, na noite anterior, a idéia de que a Argentina poderia, no âmbito da Alca, negociar separadamente alguns temas com os Estados Unidos.
Quanto ao Uruguai, o governo já havia manifestado, várias vezes, interesse num acordo com os EUA, no rumo que já foi seguido por outros países latino-americanos. Demonstrou, além disso, reservas quanto a uma Alca menos ambiciosa.

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