As privatizações, a desregulamentação e a estabilidade econômica fizeram com que os investimentos diretos estrangeiros na América Latina chegassem ao recorde de US$ 50 bilhões em 1997, segundo estimativa divulgada ontem pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), organismo das Nações Unidas. O Brasil, com um volume estimado superior a US$ 16 bilhões, recebeu cerca de um terço desses investimentos, que podem crescer ainda mais em 1998 e nos próximos anos.
Os dados constam do estudo ‘‘O investimento Estrangeiro na América Latina e no Caribe’’, divulgado ao mesmo tempo em oito capitais do continente. De acordo com o trabalho, o Brasil assumiu a liderança dos investimentos na região já em 1996, último ano para o qual os especialistas da Cepal dispõem de dados consolidados completos. Naquele ano, o Brasil recebeu US$ 11,1 bilhões, o equivalente a 25,5% dos US$ 43,6 bilhões investidos nos países latinoamericanos. Seguiram-se México (20%), Argentina (10%), Chile (9%), Peru (8%) e Colômbia (8%).
O estudo da Cepal revela uma tendência de crescente direcionamento, na década de 90, dos investimentos diretos das companhias transnacionais para a América Latina, que absorveu 31% das inversões mundiais entre 1991 e 1996. Nesse período a taxa acumulada de crescimento dos investimentos na região atingiu 70,2%, a mais alta entre as zonas em desenvolvimento do planeta, superando inclusive a das economias emergentes da Ásia (52,8%). Essa comparação ganha maior relevância na medida que os investimentos cresceram de forma acelerada na América Latina, apesar da crise que abalou o México em 1994, produzindo reflexos também no Brasil e, sobretudo, na Argentina. Além disso, o período analisado não refletiu ainda a crise dos países asiáticos deflagrada em outubro do ano passado, que reduziu o fluxo de investimento para as economias orientais.
Em valores absolutos, no entanto, os países asiáticos ainda eram, em 1996, os maiores receptores de investimento estrangeiro, com um volume de US$ 84,6 bilhões.
Segundo a Cepal, o Brasil voltou a ocupar a liderança que tinha nas décadas de 60 e 70 na atração de investimentos externos por causa da estabilização da economia e do programa de privatização de empresas estatais. ‘‘A maturação de vários projetos manufatureiros e de exploração de gás e petróleo, as privatizações e a necessidade (das empresas) de inserir-se com rapidez num dos maiores mercados do mundo, em uma fase de expansão depois de um longo período de estancamento, são fatores que continuarão impulsionando a afluência de investimentos diretos estrangeiros na economia brasileira nos próximos anos’’, afirmam os autores do estudo.
O fortalecimento da economia brasileira a partir de 1994 influenciou fortemente o afluxo de novos capitais de risco para toda a região. Nada menos do que 61% dos investimentos diretos na América Latina, de acordo com o levantamento, foram realizados entre 1994 e 1996. O Mercosul e o Nafta (acordo de livre-comércio entre México, Canadá e Estados Unidos), além disso, passaram a funcionar como mecanismos de atração de empresas, que sentiram a necessidade de estar presentes nessas regiões.

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