AL tem 200 milhões de pobres, segundo a Cepal
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terça-feira, 15 de julho de 1997
France Presse Santiago 
Arquivo FolhaMiséria totalSituação de extrema pobreza diminuiu de 41% a 39% entre 90 e 94, mas nível ainda é maior que nos anos 80Apesar de um aumento generalizado dos gastos fiscais em favor dos mais pobres e do incremento dos PIBs, a pobreza na América Latina se mantém e atinge hoje 200 milhões de pessoas, destaca um informe da Comissão Econômica Regional (Cepal) divulgado ontem em Santiago. A situação de extrema pobreza diminuiu de 41% a 39% entre 1990 e 1994, mas o nível alcançado ainda é maior que os números registrados na década de 80, quando o flagelo atingiu, em seu pior momento, 31% da população.
No caso dos indigentes (os mais pobres entre os pobres, que não ganham o suficiente para comprar alimentos) a melhoria social entre 1990 e 1994 foi mais leve, passando de 18% a 17%. Assim, um em cada seis lares latino-americanos não consegue satisfazer suas necessidades de alimentos, nem sequer destinando a isto a totalidade de sua renda, diz o relatório.
Em geral, entre 20% e 40% da população com emprego em horário integral recebe remuneração insuficiente para ter acesso ao bem-estar, acrescenta. Segundo a Cepal, o desempenho nos diferentes países foi muito desigual, destacando o caso excepcional do Uruguai, que agora exibe um índice da pobreza nacional inferior ao registrado em 1980, assim como o do Chile.
No outro extremo, a situação se agravou na Venezuela. Em outros países, como Argentina, Brasil, México e Peru, a redução da pobreza no início dos anos 90 representa um progresso significativo, mas isto em comparação com os altos índices que mostravam nos anos 80.
O informe Cepal destaca que a evolução na distribuição de renda prosseguiu com elevados níveis de desigualdade entre ricos e miseráveis, no período analisado, mesmo nos países com altas taxas de crescimento econômico.
A renda de 10% dos lares de melhor condição prosseguiu aumentando, enquanto uma tendência contrária afeta os 40% mais pobres da população. Das cinco nações que incrementaram seu produto interno bruto acima de 5% anual, Argentina e Costa Rica aumentaram a concentração de renda; Chile e Panamá mantiveram indicadores do começo da década e só o Uruguai conseguiu melhorias significativas na distribuição da renda, destacou a Cepal.


