É a primeira vez que isso acontece desde 1986. Privatizações tiveram papel determinante


Frances Will Iams
De Genebra

A América Latina e o Caribe, no ano passado, ultrapassaram a Ásia como a região em desenvolvimento mais atraente para o investimento estrangeiro. Foi a primeira vez em que isso aconteceu desde 1986, de acordo com a Conferência das Nações Unidas sobre o Comércio Internacional e o Desenvolvimento (Unctad). Boa parte desses investimentos deve-se, no entanto, às cifras envolvidas nos processos de privatização. As estimativas preliminares da Unctad demonstram que o investimento estrangeiro direto na América Latina e no Caribe aumentou 32% em 1999, para US$ 97 bilhões, ante US$ 73 bilhões em 1998.
Nos anos 80, a entrada de capital estrangeiro direto à região era inferior aos US$ 10 bilhões por ano, mas na década seguinte esse número disparou, chegando a US$ 33 bilhões em 1995, US$ 68 bilhões em 1997 e a quase US$ 100 bilhões em 1999.
Os Estados Unidos são os maiores investidores isolados na América Latina, mas empresas européias, especialmente espanholas, também têm estado ativamente envolvidas na aquisição de participações acionárias nos setores de eletricidade, petróleo, gás natural e telecomunicações. A alta no investimento estrangeiro direto na América Latina se deve, em larga medida, ao ganho de 400% na entrada de capitais para a Argentina – que passou de US$ 6 bilhões em 1998 para US$ 25 bilhões no ano passado.
Isso, por sua vez, se deve principalmente a uma única tomada de controle acionário, de porte descomunal – a aquisição da YPF, a maior empresa petroleira argentina, pela Repsol, empresa petroleira da Espanha, por US$ 17 bilhões. A entrada de investimento estrangeiro direto no Brasil, o maior recebedor desse tipo de capital na região, aumentou para US$ 31 bilhões no ano passado, ante os US$ 28, 5 bilhões de 1998.
A proporção desses investimentos relacionada ao programa de privatização brasileiro saltou para 28 % no ano passado, ante os 22% de 1998. México, Chile e Peru também viram maior investimento estrangeiro direto no ano passado. No Chile, a entrada de capital duplicou, chegando a US$ 9 bilhões, ante os US$ 4,6 bilhões de 1998.
A entrada de investimento estrangeiro direto no México aumentou em US$ 1 bilhão em 1999, para U S$ 11 bilhões, enquanto os investimentos externos no Peru chegaram a US$ 2,5 bilhões em 99, ante US$ 1,9 bilhão em 98. No entanto, os investimentos estrangeiros na Venezuela e na Colômbia, dois países em turbulência econômica, caíram em 1999. Na Venezuela, o investimento caiu para US$ 2,7 bilhões ante US$ 4,4 bilhões em 1998 e, na Colômbia, para US$ 1,8 bilhão, ante US$ 3 bilhões em 1998.

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