AL requer recursos externos para crescer
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sexta-feira, 03 de novembro de 2000
Agência Estado De São Paulo 
O fluxo de investimento externo para a América Latina precisa crescer entre quatro e seis pontos porcentuais acima do registrado na média dos anos 90 para acelerar o crescimento econômico da região a taxas desejáveis de 6% ao ano. A afirmação é de José Antonio Ocampo, secretário-executivo da Comissão Econômica para a América Latina e Caribe (Cepal).
Ele admite que a necessária elevação do fluxo externo de capital para a América Latina pode deixar a região ainda mais vulnerável a crises, o que exigiria maiores níveis de financiamento externo. Para evitar esse impasse, entretanto, o aumento de recursos externos deve vir acompanhado do incremento da poupança interna dos países, afirma Ocampo no relatório Financiamento do Desenvolvimento no Novo Contexto Internacional, divulgado ontem pela Comissão, vinculada à ONU.
A Cepal, que se notabilizou nos anos 50 e 60 pela defesa de um Estado centralizador e principal indutor do desenvolvimento da região, acredita que o renovado acesso ao financiamento externo facilitou a administração das economias latino-americanas e caribenhas nos anos 90. Porém, a debilidade dos marcos regulatórios e da supervisão dos sistemas financeiros nacionais na prevenção e na administração de dificuldades, além de políticas macroeconômicas baseadas em ciclos, acabaram provocando uma série de crises que levaram a um novo cenário internacional, explica Ocampo.
A diretora da Divisão de Desenvolvimento Econômico da Cepal, Barbara Stallings, acredita que, para crescer, a América Latina precisa, também, de um novo ciclo de reformas econômicas que incluam políticas de competitividade e de promoção de investimentos, além do aperfeiçoamento da estabilidade macroeconômica com políticas mais agressivas na área social.
De forma geral, a situação dos países da região neste fim de década mostra que foi possível recuperar o terreno perdido nos anos 80, no que se refere a níveis de investimento e produtividade. Mas já não podemos afirmar que as taxas de crescimento aumentarão significativamente. E se isto não ocorrer, é provável que as taxas de desemprego continuem elevadas, afirma.
Considerando que existe um novo contexto externo, Ocampo defende o fortalecimento da capacidade do sistema financeiro internacional como forma de prevenir e administrar crises. A Comissão também sugere a adoção de políticas macroeconômicas que facilitem o acesso dos países latino-americanos aos mercados financeiros internacionais e que incrementem os níveis internos de poupança.
Ocampo indica pelo menos três bens públicos globais nos quais é preciso avançar para reduzir a volatilidade financeira mundial: maior coerência das políticas macroeconômicas dos países mais desenvolvidos, o desenvolvimento de uma estrutura financeira institucional capaz de prever a acumulação de riscos financeiros excessivos e de uma capacidade de resposta rápida frente a crises que ameaçam a estabilidade financeira internacional neste caso, incluindo mecanismos emergenciais de financiamento e de renegociação de dívidas em situações críticas.


