AL poderá ter US$ 30 bi dos EUA e G-7
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de setembro de 1998
Agência Estado 
Empenhados em reverter a crise de confiança de investidores, que chegou agora à América Latina, autoridades financeiras dos Estados Unidos e de outros países do Grupo dos Sete (G-7), bem como dirigentes dos organismo multilaterais de crédito, discutem desde anteontem à noite a criação de uma linha de crédito de emergência de US$ 30 bilhões para socorrer os bancos centrais da região, caso a sangria de reservas cambiais continue e a ajuda se torne necessária.
A informação é de fontes do mercado que tiveram contato ontem pela manhã com autoridades financeiras em Washington. O objetivo, disse a fonte, é deixar claro ao mercado a disposição da comunidade financeira oficial de respaldar a América Latina num momento de dificuldade. A linha de crédito contaria com recursos dos Fundo Monetário Internacional (FMI), do Banco Mundial, do Banco Interamericano de Desenvolvimento e dos governos dos EUA e de outras nações industrializadas.
Anteontem à noite, um dirigente de um organismo internacional disse que claramente algo precisa ser feito. Ele enfatizou a determinação dos órgãos oficiais de manter seu apoio aos governos do Brasil, Argentina, México, Chile e outros países.
ApoioO diretor gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Michel Camdessus, reforçou ontem, em comunicado distribuído à imprensa em Washington, que o Fundo está pronto a fortalecer seu apoio financeiro e ampliá-lo a outros países, se isso for necessário, para apoiar programas econômicos fortes. Camdessus fez essa observação em relação aos efeitos da crise de confiança dos mercados quanto à situação no Brasil e outros países da América Latina.
Ele disse que a América Latina já foi atingida fortemente pela crise, especialmente com a saída de capitais de curto prazo. Segundo ele, essa volatilidade que afetou os vários países do continente parece não levar em conta os progressos que esses países tiveram em suas políticas econômicas e suas perspectivas futuras.
O economista-chefe do FMI, Stanley Fischer, reiterou os mesmos pontos citados por Camdessus. Embora o dinheiro disponível do Fundo estejam hoje em menos de US$ 10 bilhões, Fischer disse que o Fundo encontrará os recursos necessários. Citou o General Agreement to Borrow (GAB) como uma das fontes possíveis. O GAB tem, no momento, US$ 15 bilhões. Esse tipo de perigo sistêmico, segundo ele, que é o que se passa na América Latina hoje, encaixa-se nos critérios de utilização do GAB.(Com Paulo Sotero, de Washington)


