AL perde US$ 76 bi com acidentes
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quarta-feira, 26 de fevereiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo Estudo do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) mostra que a falta de segurança no trabalho tem impacto profundo na produtividade e no nível de pobreza dos países da América Latina e Caribe. Com base em dados da Organização Internacional do Trabalho (OIT), especialistas do BID estimam que os países da região perdem cerca de US$ 76 bilhões por ano em consequência de mortes ou devido às sequelas provocadas pelos acidentes.
''Essa cifra representa entre 2% e 4% do Produto Interno Bruto (PIB) da região'', afirma Roberto Iunes, especialista em saúde do BID. Os US$ 76 bilhões incluem custos diretos, como atenção sanitária, pensões por morte ou invalidez e atenção familiar; e indiretos, como queda na produtividade durante e depois do acidente, impacto entre os colegas de trabalho e na família e perda material de equipamentos.
Outros estudos apontam, entretanto, perdas que podem chegar a 10% do PIB, já que a média de acidentes na região é 10% a 20% superior à dos Estados Unidos e 70% acima do verificado na Finlândia , por exemplo.
Iunes conclui que, devido a essas estatísticas, é possível afirmar que um posto de trabalho nos países latino-americanos pode transformar-se em uma verdadeira tocaia fatal. E é isso que os números da OIT mostram. Na América Latina, entre 27 mil e 68 mil pessoas perdem a vida a cada ano por causa de acidentes de trabalho. Outros 20 milhões a 80 milhões de trabalhadores sofrem algum tipo de acidente ou doença de grau diferente por causa dos riscos físicos, químicos, biológicos, ambientais e sociais aos quais estão sujeitos em seus locais de trabalho.
Se houvesse a devida proteção, como a que oferecem as economias mais desenvolvidas, a América Latina poderia salvar pelo menos 16,5 mil vidas por ano e melhorar a saúde de milhões de trabalhadores, afirma o BID. Dados da OIT mostram que a força de trabalho latino-americana, que já supera os 200 milhões de pessoas, continua crescendo a um ritmo superior ao da média mundial.
Especialistas consultados pelo principal organismo multilateral de financiamento para a região informaram que, na América Latina e o Caribe, há pouquíssimo interesse, tanto por parte dos governos como do setor privado, sobre o alto risco das condições de trabalho e sobre as suas consequências.


