Genebra - A América Latina está perdendo a guerra por investimentos externos. Essa é a conclusão de um relatório publicado ontem pela Conferência da ONU para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad), que reuniu a opinião de agências de investimentos de todo o mundo e que destaca que o continente é o que menos gera prognósticos favoráveis nos próximos três anos em relação à entrada de recursos.
Em um outro documento, a organização da ONU conclui que o Brasil sequer está no radar dos principais especialistas do mundo como um dos dez países mais atraentes para receber investimentos entre este ano e 2007.
Na pesquisa, a América Latina foi a região que menos recebeu indicações de que investimentos cresceriam nos próximos anos. Apesar de a maioria das agências indicarem que novos fluxos de capital vão ocorrer em setores como serviços, agricultura e mineração, um terço dos entrevistados afirmou que o volume não aumentará em 2004 e 2005.
Prognósticos um pouco mais otimistas mostram um crescimentos dos fluxos entre 2006 e 2007. Para os especialistas, os motivos para o desânimo em relação ao continente são vários: a falta de crescimento de várias economias, a falta de entrada de novos investimentos em 2002 e 2003, a falta de medidas governamentais para a atração de recursos e a menor liberalização dos mercados em relação a outros países emergentes. Segundo a Unctad, em 2003, só a África adotou um número menor de iniciativas de atração de investimentos que os latino-americanos.
Já na outra classificação da Unctad sobre os países que prometem ser os principais destinos de investimentos, a entidade aponta a China, seguida pela Índia como os destaques. Entre os paises latino-americanos, apenas o México consegue espaço no ranking, elaborado a partir de avaliações de 87 especialistas de instituições como ABN Amro Bank, White & Case e Deloitte & Touche. O Brasil apenas aparece entre os destaques na América Latina, e mesmo assim junto com o Chile. Usando dados do Banco Central, a Unctad aponta que o País deverá receber US$ 13 bilhões em investimentos neste ano.
Parte da perda de espaço da América Latina também pode ser explicada pelo fato de que, em pouco tempo, o mercado consumidor asiático será o mais interessante para a expansão das companhias.
''O crescimento de uma classe média na Ásia está atraindo várias empresas que querem estar nas proximidades dos futuros mercados consumidores'', afirmou Ludger Odenthal, um dos autores do estudo.
Mas a grande novidade é que a China, pela primeira vez, entra na lista dos cinco maiores investidores do mundo, substituindo o Japão.
Segundo a ONU, essa é a primeira vez que a lista, liderada pelos Estados Unidos, tem um país em desenvolvimento. ''Vemos agora a China como um dos maiores destinos e fontes de recursos produtivos no mundo'', afirma um dos autores do relatório.
Para o resto do mundo, a estimativa da Unctad é de um aumento dos fluxos de investimentos até 2007, principalmente nos setores de alimentos e bebidas, automotivo, produtos eletrônicos e máquinas e equipamentos.

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