AL foi a região mais dinâmica em 1996
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quinta-feira, 10 de abril de 1997
Agência Estado/Reuters de Genebra 
Arquivo FolhaContrastesO desempenho das exportações brasileiras decepcionou. Pelo segundo ano seguido, o País registrou estagnação nas vendas externas. O México puxou para cima a média da América Latina: exportou 20% maisO crescimento do comércio mundial desacelerou drasticamente para 4% em 1996, de 8% no ano anterior, em virtude do surpreendentemente fraco desempenho da Ásia e da recessão na Europa. A América Latina, em contrapartida, foi a região mais dinâmica no comércio global. As exportações latino-americanas cresceram três vezes acima da média mundial, segundo relatório divulgado ontem pela Organização Mundial do Comércio (OMC) em Genebra (Suíça).
No total, US$ 5,1 trilhões em mercadorias e US$ 1,2 trilhão em serviços foram vendidos nos mercados internacionais no ano passado, afirma o estudo. Os Estados Unidos se mantiveram como o maior exportador e importador de produtos no globo. Suas vendas ao exterior totalizaram US$ 624,8 bilhões (aumento de 6,8% sobre o ano anterior), enquanto as compras somaram US$ 817,8 bilhões (+6,1%). A Alemanha e o Japão ocuparam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares.
A América Latina destacou-se com o mais dinâmico crescimento nas exportações graças ao México, onde o volume de vendas ao exterior aumentou mais de 20% pelo segundo ano consecutivo. Em contraste, as exportações do Brasil ficaram estagnadas, também pelo segundo ano seguido. As importações da América Latina cresceram 10,5% no ano passado, depois de crescerem 3% em 1995, afirma o documento da OMC.
A Malásia foi apontada pela OMC como o mais dinâmico exportador na década. Entre 1990 e 1996, as exportações do país, em termos de dólares, cresceram a uma média anual de 18%. As Filipinas ocuparam o segundo lugar, com crescimento de 17%, seguidas pela China e Tailândia, com 16%.
No ano passado, a pior performance foi a da Ásia. O volume de produtos exportados cresceu apenas 2,5%, após crescer 14% em 1995, enquanto as importações tiveram expansão de 4,5%, bem abaixo dos 14% no ano anterior. Segundo a OMC, a queda mundial no comércio de equipamentos de escritórios e telecomunicações, depois da forte alta nas vendas em 1995, tem parte da responsabilidade pelo resultado. O fortalecimento do dólar também teve impacto no comércio.
Em comparação com 1995, as exportações do Japão encolheram 0,5% em termos de volume. Em valor, as exportações japonesas caíram 7% para US$ 413 bilhões. As importações cresceram 4% para US$ 350 bilhões. As exportações da China aumentaram levemente, 1,5%, para US$ 151 bilhões, enquanto as importações cresceram 5% para US$ 139 bilhões.
A fraca demanda e as taxas de câmbio na Europa Ocidental, que responde por 40% do comércio de mercadorias do mundo, provocaram crescimento de apenas 3% nas importações e de 4% nas exportações da região em 1996. A União Européia exportou US$ 2,1 trilhões em produtos no ano passado, pouco acima das importações, que somaram US$ 2 trilhões.
Segundo a OMC, o comércio global deve acelerar em 1997, depois do decepcionante desempenho de 1996. Muitos analistas previam que o crescimento do comércio internacional de mercadorias ficaria entre 6% e 8% em 1996, após dois anos de excelente desempenho da ordem de 8%. O comércio é considerado o motor do crescimento econômico e da prosperidade.
A OMC apresenta previsões para 1997 que antecipam uma recuperação econômica na Europa Ociental e, pela primeira vez, na Rússia, crescimento do PIB (Produto Interno Bruto, medida da produção de bens e serviços) praticamente inalterado na América do Norte e forte aumento da produção econômica da América Latina.
Na China e outras dinâmicas economias asiáticas, o crescimento da produção deve acelerar levemente, enquanto o Japão provavelmente terá outra desaceleração. Se essas previsões de crescimento econômico se concretizarem, o volume do comércio mundial este ano deve crescer mais do que os 4% registrados em 1996, liderado pelo bom desempenho da Europa Ocidental e uma expansão das importações na América Latina e nos países em desenvolvimento da Ásia, afirma a organização.


