O oligopólio do setor de fertilizantes foi tema da audiência pública realizada ontem de manhã na Assembléia Legislativa do Paraná com a comissão de Agricultura da Câmara de Deputados e empresas e trabalhadores do segmento. No centro das atenções, a Fosfertil. A empresa foi privatizada em 1992 por meio do plano nacional de desestatização, com unidade em Araucária e controlada majoritariamente pela Bunge e acionistas como Yara e Mosaic.
''Há oito empresas de fertilizantes no Brasil e a Bunge controla seis. Esta cartelização mingua o poder de compra dos agricultores e não abre espaço para concorrência de preços, além de também manipular valores nos alimentos. O governo precisa investir em pesquisa e tirar o setor do cativeiro como já era previsto'', diz o deputado federal Dr.Rosinha (PT), que na época do plano nacional de desestatização foi relator de um estudo que concluiu que o setor deixaria de ser refém do Estado para ser do capital estrangeiro.
De acordo com o presidente da Comissão de Agricultura, deputado Pedro Ivo (PT), o Paraná é o terceiro principal consumidor brasileiro de fertilizantes, e prometeu esforços para trazer ao debate os ruralistas de grande e médio portes para discussão de uma agricultura sustentável menos dependente do setor. ''Em 2007, no Paraná, um saco de adubo saía em média a R$ 45 e neste ano não se encontra a menos de R$ 95. Com uma safra bem colhida, o agricultor pode alcançar um lucro 20%, mas gasta mais da metade em pagamento de insumos da próxima safra, ou seja, ele só paga conta e não cresce. Se houver intempéries durante o processo, quebra'', avalia. Se manter a fertilização do solo é um desafio, a integração lavoura-pecuária é um norte apontado pelo secretário de Agricultura do Estado, Valter Bianchini. ''O Paraná tem condições de trabalhar desta forma e não perder a liderança na produção de alimentos'', diz.
O Brasil é quarto maior consumidor de fertilizantes no mundo, mas representa apenas 2% da produção mundial, importando cerca de 70% de toda a matéria-prima, o NPK - sigla para nitrogênio, fósforo e potássio, material que no ano passado teve 91% de carga importada. A Fosfertil, com unidades também em São Paulo e Minas Gerais, é a principal fornecedora de fósforo e potássio para a indústria e afirma que os preços de fertilizantes é determinado pelo mercado internacional. Um levantamento do Sindiquímica-PR (Sindicato dos Trabalhadores na Indústria Petroquímica do Paraná), o preço dos fertilizantes agrícolas aumentou, em média, 300% desde a privatização há 15 anos. ''Os preços cresceram devido a forte demanda de países como China e Índia. O Brasil não influencia valor já que responde apenas por 6% da demanda comercial mundial'', argumenta o gerente executivo da Fosfertil, José Carlos Wageck. Em 1990 o consumo nacional de fertilizantes era de 3,2 milhões de toneladas, em 2006 saltou para 8,9 milhões de toneladas (variação de 178%), segundo dados da Fosfertil.

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