As boas notícias de março não estão salvando o ano, alertam os economistas ouvidos pela Agência Estado. Os focos de atenção, nos próximos meses, serão os resultados fiscais do governo, o reajuste do salário-mínimo e o risco de indexação salarial. As projeções mantém a perspectiva do governo alcançar um superávit primário (despesas menos receitas) equivalente a 3,0% do Produto Interno Bruto (PIB) em 99 e não consideram a correção dos salários pela inflação passada.
Ainda não existem números disponíveis para aferir a meta de déficit que está sendo cumprida. No documento de análise econômica que enviou aos clientes no dia 29 de março, o Citibank observa que a arrecadação de tributos federais em fevereiro mostrou um ganho extra de R$ 2,2 bilhões, decorrente da possibilidade das empresas recolherem tributos atrasados sem juros ou multas. Além disso, a CPMF vai entrar em vigor duas semanas antes do previsto, permitindo uma arrecadação adicional de R$ 500 milhões este ano. Juntas, observa o documento, as duas situações propiciaram uma receita extra de R$ 2,7 bilhões ou 0,25% do PIB.
‘‘A perspectiva de um crescimento maior no segundo semestre depende de bons resultados na área fiscal’’, observa Mauro Schneider, do ING Barings. ‘‘Mas o governo não pode se concentrar, apenas, no cumprimento das metas com o FMI. Ele precisa aprofundar medidas que garantam resultados positivos permanentes nas contas públicas.’’
‘‘O retorno de capitais de longo prazo só ocorrerá de maneira firme quando os bancos tiverem sinais concretos de que o governo está cumprindo o programa acertado com o FMI’’, observa José Augusto Savasini, da Rosenberg & Associados.

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