São Paulo - O ano de 2004 deverá ser o melhor para a economia brasileira desde 2000, quando o Produto Interno Bruto (PIB), a soma de todas as riquezas produzidas pelo País, cresceu 4,4%, mas bateu na parede do racionamento de energia em 2001.
Apesar de as previsões apontarem para uma expansão inferior a 4,4%, os analistas afirmam que a economia brasileira passou por ajustes estruturais nos últimos dois anos, que dariam espaço para o crescimento se sustentar por certo tempo a partir de agora.
A mais importante dessas mudanças é o equilíbrio das contas externas, obtido graças a um misto de aumento de exportações e redução de importações decorrente da desaceleração da economia brasileira.
Mesmo prevendo um superávit comercial menor para 2004, os economistas afirmam que as contas externas estarão sob controle, o que ameniza uma das maiores vulnerabilidades do País nos últimos anos.
''A partir de 1995, o crescimento foi muito afetado por crises externas. O Brasil sofreu mais que outros países porque tinha déficits muito elevados em conta corrente. Em grande medida, esse problema foi superado, o que nos coloca em situação mais favorável para crescer nos próximos anos'', diz Alexandre Bassoli, economista-chefe do HSBC.
A diferença nos dados das contas externas é gritante. Em 2000, o País fechou o ano com saldo negativo de US$ 24,6 bilhões, o equivalente a 4,2% do PIB. Depois de sucessivos déficits, o resultado de 2003 deverá ser positivo pela primeira vez em 11 anos. As previsões apontam saldo próximo de US$ 2,5 bilhões -0,5% do PIB.
O resultado voltará a ser negativo em 2004, mas nada que se compare aos números de anos anteriores. Analistas estimam que a conta corrente será negativa em algo entre US$ 200 milhões e US$ 3,8 bilhões. ''Se vier uma crise inesperada, nós seremos atingidos, mas menos que no passado'', observa Francisco Pessoa, analista da LCA Consultores.
As previsões de expansão do PIB de 2004 variam de 3% a 4%. O índice é inferior aos 5% apresentados na campanha eleitoral pelo então candidato a presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma das condições para criação de 10 milhões de empregos. Mas é superior aos resultados de 2001 (1,3%), 2002 (1,9%) e 2003 (próximo de zero).
Os economistas projetam pequena variação do dólar neste ano e uma inflação sob controle. Para dezembro, é esperada cotação de R$ 3,10 a R$ 3,20. As previsões apontam para um Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) próximo de 6%, o que significa o cumprimento da meta de 5,5% fixada pelo governo, que tem 2,5 pontos de tolerância para cima ou para baixo.
''A demonstração de que o país evoluiu politicamente tira muitos pontos de incerteza'', afirma Tomás Málaga, economista-chefe do Itaú. ''Há um consenso político de que é necessário manter os ajustes fiscal e externo'', completa Pessoa, da LCA. Para Bassoli, do HSBC, o sucesso na transição de governo trouxe redução permanente do risco político do País.

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