Ajuste trimestral no preço do gás dará mais 'folga' a revendas e consumidores
PUBLICAÇÃO
sábado, 20 de janeiro de 2018
Mie Francine Chiba<br>Reportagem Local 

Revendedores de GLP de uso residencial consideram positiva a decisão tomada pela Petrobras de diminuir a frequência dos ajustes do preço do gás, que passa a ser trimestral, em vez de mensal, a partir do próximo dia 5. O objetivo é amenizar os repasses dos preços internacionais para o consumidor brasileiro. Nesta sexta-feira (19), a petrolífera também reduziu 5% o valor do GLP nas refinarias. Assim, o preço médio sem tributos do botijão de 13 quilos passou a ser R$ 23,16.
Para os revendedores, a medida trará mais tranquilidade tanto às revendas quanto aos consumidores, já que o gás sofria mudanças no preço todos os meses. "O cliente vai poder ficar três meses sem reajuste", comenta Antônio Delcolli, proprietário da revenda Azul Gás. Na opinião do distribuidor, medidas anunciadas para limitar o ajuste do preço do gás GLP também afastam preocupações quanto ao percentual de diferença no valor do produto.
A revisão na política de preços do GLP de uso residencial foi divulgada nesta quinta-feira (18). Na ocasião, a Petrobras disse em comunicado acreditar que "estes novos critérios permitirão manter o valor do GLP referenciado no mercado internacional, mas diluirão os efeitos de aumentos de preços tipicamente concentrados no fim de cada ano, dada a sazonalidade do produto". Também reiterou que a lei brasileira garante liberdade de preços no mercado de combustíveis e derivados, de modo que as revisões podem ou não se refletir no preço final ao consumidor, a depender de repasses feitos especialmente por distribuidoras e revendedores.
Referência
A referência continuará a ser o preço do butano e propano comercializado no mercado europeu acrescido de margem de 5%. Mas o período de apuração das cotações internacionais e do câmbio que definirão os percentuais de ajuste será a média dos doze meses anteriores ao período de vigência e não mais a variação mensal.
Se a alta ou a queda do preço superar 10%, o repasse nas refinarias terá de ser autorizado pelo Grupo Executivo de Mercado e Preços (GEMP) da Petrobras, formado pelo presidente da estatal, Pedro Parente, e mais quatro diretores. "Caso o índice de reajuste seja muito elevado, o GEMP poderá decidir não aplicá-lo integralmente, ficando a diferença para compensação conforme mecanismo adiante detalhado", explicou a Petrobras.
Para garantir que nem a empresa nem o consumidor serão prejudicados pelo novo método, foi criado um mecanismo de compensação, que vai comparar a política anterior com a nova e ajustar a diferença eventualmente encontrada pela taxa básica de juros (Selic).
Marcelo da Costa, proprietário da distribuidora Ideal Gás, de Londrina, também opina que a medida beneficia as revendas e os consumidores, mas diz estar cético quanto à decisão da Petrobras. "É política de ano eleitoral, quando tudo é bonito. Quero ver quando acabar esse ano. A Petrobras está passando por uma crise. Não dá para acreditar mais no governo." O proprietário também se mostra cético quanto à redução de 5% anunciada pela Petrobras. Segundo ele, as reduções demoram a ser sentidas pelas revendas. "Se para a gente demora, imagina para o consumidor final."
Para Costa, se a nova política da Petrobras se mantiver, será bom para as revendas e para os consumidores. "Pelo menos nós não ficaremos todo mês agoniados esperando o reajuste. Para o consumidor será bom também porque ele vai saber quando irá mudar o preço."
Periodicidade
O economista Ronaldo da Silva, presidente do Sindicato dos Economistas de Londrina (Sindecon LD), explica que a nova política da Petrobras apenas tornará mais espaçados os reajustes do gás. "A única diferença é que vai demorar mais tempo para ocorrer os reajustes. Mas o que continua definindo o preço é a política de preços internacional. Depois de três meses, se esses preços subirem, o preço do gás sobe, se baixarem, o preço do gás acaba abaixando. O que altera é a periodicidade (dos reajustes), não que vai deixar de ser repassada a variação. Antes, o governo segurava o preço para conter a inflação, mas hoje é uma política de mercado."
Governo petista congelou preço para deter inflação
O combustível passou a ser ajustado mensalmente a partir de junho de 2017, quando foi implementada uma nova política de preços pela Petrobras. Entre 2007 e 2014, o preço do gás para botijão ficou congelado - essa foi uma das medidas adotadas pelo governo do PT para conter a inflação.
Desde que a petroleira passou a usar uma frequência mensal no ajuste do GLP residencial, o preço final ao consumidor registrou alta de 17,7%, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Diretamente nas refinarias, o aumento foi ainda maior. Mesmo após a queda de preço anunciada pela Petrobras, o gás de cozinha acumula alta de 54% na venda nas refinarias desde junho de 2017 até janeiro de 2018, de acordo com cálculos do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). (Agência Estado)
GLP industrial e comercial cai 6,3% a partir deste sábado
Rio, 19 (AE) - Um dia após anunciar a redução de 5% no preço do gás de cozinha (GLP residencial), a Petrobras informou nesta sexta-feira, 19, que o preço do GLP industrial e comercial também sofrerá queda, de 6,3%, a partir deste sábado.
Segundo a Petrobras, a alteração se faz necessária devido à queda das cotações internacionais do produto, uma vez que a demanda ao longo do inverno europeu tem sido menor que a esperada pelo mercado.
A redução de preço era uma das reivindicações do Sindicato Nacional do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Gás Liquefeito de Petróleo (Sindigás), que cobra também uma política de preços previsível para o produto em embalagens acima de 13 kg.
Nas quinta-feira, a Petrobras passou de mensal para trimestral o ajuste dos preços do gás de cozinha, com o objetivo de suavizar os impactos no bolso das famílias de renda mais baixa, segmento que mais utiliza o produto até 13 kg. (Denise Luna/Agência Estado)


