Ajuste será gigantesco, diz Franco
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segunda-feira, 05 de outubro de 1998
Agência Folha 
O presidente do Banco Central, Gustavo Franco, confirmou ontem que o governo estuda aumentar o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) cobrado na entrada de capitais de curto prazo. A medida deverá fazer parte do pacote fiscal a ser anunciado em alguns dias pelo governo e que deverá ser muito grande, gigantesco. Franco afirmou que não está decidido se o aumento do IOF será de 2% para 10%, como havia previsto o diretor de política monetária do BC, Francisco Lopes. Essa é a opinião dele (de Lopes), nós ainda estamos estudando, afirmou Franco.
O presidente do BC consumiu boa parte do dia em três seminários com investidores estrangeiros. Em todos, negou que o governo vá mudar o regime cambial ou acelerar o processo gradual de desvalorização do real. A curiosidade dos investidores com relação ao câmbio aumentou sensivelmente ontem depois de declarações, feitas anteontem à noite, pelo diretor-gerente do FMI (Fundo Monetário Internacional), Michel Camdessus, e pelo diretor de pesquisa da instituição, Michael Mussa.
Mussa disse que a velocidade da desvalorização do real deveria aumentar de 0,6% para 1% ao mês. Perguntado sobre a declaração de Mussa, Camdessus disse que esse ponto poderia ser discutido num eventual programa de ajuda financeira ao País. Camdessus, no entanto, afirmou que o Brasil ainda não pediu oficialmente nenhuma ajuda ao fundo. Franco respondeu a perguntas, feitas por investidores, sobre a credibilidade do governo na implementação do pacote fiscal e sobre a capacidade de o Banco Central rolar a dívida interna do país. O presidente do BC disse que várias medidas anunciadas no final de 1997 não foram implementadas por causa de processos legislativos e de negociações políticas. Mas afirmou que as medidas anunciadas dessa vez são mais profundas, estruturais e que há agora uma percepção maior de urgência.
Com relação a eventuais dificuldades de o governo rolar suas dívidas internas, Franco disse que isso não preocupa porque essa dívida está quase toda representada por títulos pós-fixados e nas mãos de investidores domésticos. O ministro Pedro Malan (Fazenda) se encontrou ontem com o ministro da Fazenda do Chile, Eduardo Aninat, e com Demóthenes Pinho Neto e Gustavo Franco. Depois foi para o encontro do G-22, reunião do G-7 (os sete países mais ricos) com o G-15 (países emergentes), que foi aberta pelo presidente dos EUA, Bill Clinton.


