Ajuste no milho só depois do dia 10
Vânia Casado
De Curitiba
O ajuste no mercado de milho deve ocorrer depois do dia 10. Por enquanto os negócios permanecem parados por falta de entendimento entre compradores e produtores, informou o corretor Peter Weckl, da corretora Agrolan, de Guarapuava. O milho estreou o ano com cotações médias entre R$ 13,00 e R$ 14,00 a saca, repetindo as cotações que vigoravam na última semana do ano passado.
Mas a expectativa é de aumento nos preços, quando os criadores voltarem ao mercado para comprar o milho. Por enquanto muitos estão com estoques e com o recesso de final de ano, ainda não precisaram da matéria-prima. Quando acabar os estoques em poder dos criadores, que são pequenos, a corretora acredita numa evolução dos preços. Inclusive prevê uma situação muito difícil para o abastecimento de milho no mês que vem quando será difícil encontrar o produto no mercado.
Por outro lado, os estoques das cooperativas estão suficientes até a entrada da safra e não deverão importar o produto, disse o assessor econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Flávio Turra. Mesmo assim considera que o período até a entrada da safra, no final de fevereiro, representa uma travessia difícil para todos. As cooperativas têm milho em estoque, mas a partir do momento que precisam do produto para processamento terão que pagar o preço do dia, porque o grão é do produtor e não da cooperativa, ressaltou.
A notícia da quebra da safra do milho em 11,2% provocada pela estiagem, conforme divulgou levantamento da Secretaria da Agricultura, ainda deverá mexer com o mercado, acreditam os analistas. Para Turra, o mercado não se alterou ainda porque a informação divulgada há duas semanas foi neutralizada pelo recuo do câmbio para menos que R$ 1,80. Embora agora já esteja recuperando novamente, ressalvou. Turra lembrou que daqui para frente a cotação do milho estará muito vinculada à cotação internacional, que é o limite para esse mercado. Se aumentar muito acima da paridade, as importações ganham um fôlego maior, afirmou.
Segundo o corretor da Agrolan as importações de milho da Argentina estão no final, porque a safra foi pequena e daqui para frente as importações do grão dos Estados Unidos tendem a se intensificar para o mês de fevereiro. Quanto ao impacto da quebra de safra, Peter Weckl também acredita que a previsão ainda vai afetar o mercado a partir da semana que vem, quando aumentar a demanda pelo produto.





