Ajuste fiscal vai levar a aperto doméstico
PUBLICAÇÃO
domingo, 25 de outubro de 1998
Agência Estado 
Nesta semana, o governo deve divulgar um novo pacote de medidas econômicas, visando a obter um equilíbrio para suas finanças, com cortes de despesas e aumento de receitas. As medidas devem ter amplo impacto nas finanças pessoais, a carga com impostos e contribuições deve ficar mais pesada, o orçamento mais curto, o emprego mais escasso. O provável aumento da CPMF, na opinião do economista do Lloyds Bank, Adauto Lima, é abrangente e poderá ser uma pressão a mais para aumentar o desemprego. A elevação da alíquota eleva custos e com a recessão, as empresas tendem a ter dificuldades para repassar esses custos aos preços.
Uma dificuldade do governo é que muitas das medidas precisam ser aprovadas pelo Congresso. Aí, Jorge Henrique Zaninetti, gerente da área de Consultoria Tributária da Deloitte Touche Tohmatsu, lembra que o governo tem de ser rápido nas negociações e aprovar aumentos de impostos até o fim do ano, para que eles vigorem em 1999. Para Francisco de Assis Moura de Mello, presidente da Marka Nikko Asset Management, diante dos efeitos recessivos, o pacote só será sustentável se proporcionar queda abrupta dos juros. Fábio Akira, economista da consultoria Tendências, prevê que o primeiro semestre de 99 será ruim. Por isso, a mesma estratégia do governo de cortar gastos deverá ser aplicada em casa, com um ajuste no orçamento doméstico.
Mas as perspectivas para o País estão mais otimistas, por conta da expectativa do anúncio das medidas de ajuste fiscal e do acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), e o cenário internacional está mais tranquilo. Mesmo assim, ainda é muito cedo para apostar no fim da instabilidade. Essa é a avaliação da diretora de Fundos da BCN - Alliance Asset Management, Angela Assumpção, que continua a recomendar os fundos DI como o melhor porto para ancorar o dinheiro no momento.
Angela entende que o governo deve divulgar medidas fiscais duras, que tenderão a levar a um quadro recessivo. Mas isso, acredita ela, é inevitável diante da atual crise, e o mercado espera providências que realmente equacionem o rombo das contas públicas. E a reação dos investidores é que vai determinar o ritmo de queda dos juros, atualmente na casa dos 42% ao ano.
O cenário internacional, embora continue a inspirar preocupações, apresentou progressos nas últimas semanas. Mesmo com a melhora do cenário, ela ainda é cautelosa ao falar sobre as Bolsas. Quem quiser pode entrar nas Bolsas aos poucos.


